10 dias de angústia: As buscas continuam pelas duas crianças e detalhe assustador chama a atenção

O desaparecimento de duas crianças em uma comunidade quilombola no interior do Maranhão segue mobilizando uma das maiores operações de busca já realizadas na região nos últimos anos. Desde o início de janeiro, forças de segurança, militares, equipes especializadas e moradores locais atuam de forma contínua na tentativa de localizar Isabelle, de seis anos, e Michael, de quatro, que desapareceram após saírem para brincar.

O caso teve início na tarde de domingo, 4 de janeiro, no povoado São Sebastião dos Pretos, zona rural do município de Bacabal. Naquele dia, os irmãos deixaram a casa da família acompanhados do primo Anderson Kauan, de oito anos, para brincar em uma área próxima de mata. Com o passar das horas e a ausência das crianças, familiares acionaram as autoridades, dando início às buscas.

Os três menores desapareceram juntos, o que aumentou a apreensão da comunidade. No entanto, após três dias de procura intensa, apenas Anderson foi encontrado com vida na quarta-feira, 7 de janeiro. O menino foi localizado por um carroceiro que transitava por uma área de mata fechada, a cerca de quatro quilômetros do ponto onde o grupo havia sido visto pela última vez.

Segundo relatos, Anderson estava sem roupas, em estado de extrema debilidade, pediu água e conseguiu dizer apenas que os primos estariam “mais à frente”. Ele foi imediatamente socorrido e encaminhado para atendimento médico. Apesar da informação fornecida pelo menino, as buscas ampliadas na região indicada não resultaram, até o momento, na localização de Isabelle e Michael.

Desde o desaparecimento, a operação envolve a Polícia Civil, a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, além de equipes com helicópteros, drones equipados com sensores térmicos e cães farejadores. Moradores da comunidade também se organizaram de forma voluntária, ajudando a vasculhar trilhas, áreas alagadas e trechos de mata densa.

Ao longo da semana, alguns itens de vestuário infantil foram encontrados durante as buscas. Na quinta-feira, roupas que pertenciam a Anderson foram localizadas próximas ao ponto onde ele foi resgatado. Já no domingo seguinte, voluntários encontraram novas peças de roupa na mata. No entanto, a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão informou que esses objetos não pertencem a Isabelle nem a Michael, o que mantém o mistério sobre o paradeiro dos irmãos.

Outro elemento que chamou atenção das equipes foi o relato de um forte odor percebido nas proximidades de um lago situado em uma área de vegetação fechada. Diante disso, o Corpo de Bombeiros destacou que todas as possibilidades estão sendo analisadas, inclusive cenários mais delicados. O tenente-coronel responsável pela operação esclareceu, porém, que a região apresenta ocorrência frequente de animais mortos, seja por ação de caçadores ou por causas naturais, e que apenas uma análise técnica poderá determinar a origem do cheiro.

O local segue sob vistoria de equipes especializadas, que trabalham com cautela para evitar conclusões precipitadas. As autoridades reforçam que o foco principal continua sendo localizar as crianças com vida.

Com o avanço dos dias e a complexidade do terreno, a operação foi reforçada com a participação do Exército Brasileiro e do Batalhão Ambiental, elevando para cerca de 340 o número de pessoas envolvidas diretamente nas buscas. A dimensão da mobilização reflete a gravidade do caso e a comoção gerada tanto na comunidade local quanto em outras regiões do país.

Como forma de incentivar possíveis informações, a Prefeitura de Bacabal anunciou uma recompensa de R$ 20 mil para quem fornecer dados que levem ao paradeiro de Isabelle e Michael. A orientação é que qualquer informação, mesmo considerada pequena, seja repassada às autoridades.

Enquanto isso, moradores do quilombo São Sebastião dos Pretos seguem unidos em vigílias, orações e apoio à família das crianças. As equipes de busca afirmam que os trabalhos não serão interrompidos enquanto persistirem incertezas sobre o destino dos irmãos, mantendo viva a esperança de um desfecho que traga respostas e alívio para todos os envolvidos.

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