Mãe permitia que filha fosse abusada pelo próprio pai “desde que ele não arrumasse outra”; crimes duraram 10 anos

No último dia 17 de dezembro, a Polícia Civil do Amazonas realizou a prisão de um casal acusado de cometer crimes graves contra a própria filha ao longo de aproximadamente dez anos. As informações foram divulgadas oficialmente no dia seguinte e causaram forte repercussão, despertando indignação e reforçando a importância do enfrentamento a violações de direitos de crianças e adolescentes.

De acordo com a delegada Kássia Evangelista, titular da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), o caso chegou ao conhecimento das autoridades por meio de uma denúncia feita por um familiar próximo da vítima. A tia da adolescente procurou uma unidade especializada da polícia no dia 15 de novembro e relatou suspeitas de que a sobrinha vinha sendo submetida a situações abusivas dentro do próprio ambiente familiar desde a infância.

Segundo o relato apresentado, os episódios teriam começado quando a menina tinha cerca de 7 anos de idade. Atualmente, a vítima tem 17 anos. Diante da gravidade das informações, a Polícia Civil instaurou imediatamente um inquérito para apurar os fatos e iniciou uma série de diligências para confirmar as denúncias e garantir a proteção da adolescente.

Durante o andamento das investigações, as autoridades enfrentaram dificuldades para localizar os suspeitos. Conforme explicou a delegada, ao tomarem conhecimento de que haviam sido denunciados, os dois deixaram a cidade onde residiam e se deslocaram para o município de Maraã. O casal passou a se esconder na casa de familiares do homem, em uma área rural de difícil acesso, o que exigiu um trabalho mais complexo por parte das equipes policiais.

O homem foi localizado e preso no dia 6 de dezembro, após a intensificação das buscas. Após a prisão, a adolescente decidiu se manifestar por meio de um vídeo, no qual relatou os episódios sofridos ao longo dos anos. No depoimento, a jovem apontou que a mãe tinha conhecimento das situações e não teria tomado providências para impedir que os crimes continuassem.

Com base nessas novas informações, a Polícia Civil aprofundou as investigações em relação à conduta da mãe. Segundo a delegada Kássia Evangelista, além da suspeita de participação direta, a mulher também é investigada por omissão, uma vez que, conforme apurado, teria falhado no dever legal de proteger e cuidar da filha. Ainda de acordo com a polícia, há indícios de que a adolescente tenha sido submetida a episódios de violência física, o que ampliou a gravidade das acusações.

A delegada ressaltou que a apuração busca esclarecer todos os fatos, inclusive verificar o alcance das responsabilidades e se outras pessoas podem ter tido conhecimento das situações sem realizar denúncias. Após a prisão do homem no início do mês, a mulher foi localizada e presa no dia 17 de dezembro, concluindo essa etapa da investigação.

A adolescente foi encaminhada para acompanhamento por equipes especializadas, incluindo suporte psicológico e social, conforme os protocolos previstos para vítimas de violações de direitos. A Polícia Civil destacou que a prioridade, neste momento, é garantir a segurança, o acolhimento e o bem-estar da jovem.

O caso reforça a relevância das denúncias feitas por familiares, vizinhos ou qualquer pessoa que suspeite de situações de violência envolvendo crianças e adolescentes. Especialistas ressaltam que o silêncio é um dos principais fatores que permitem a continuidade desse tipo de crime, e que a atuação da rede de proteção é fundamental para interromper ciclos de violência.

As autoridades lembram que denúncias podem ser feitas de forma anônima por meio dos canais oficiais, como o Disque 100, além das delegacias especializadas. A conscientização da sociedade e o fortalecimento dos mecanismos de proteção são considerados essenciais para prevenir novos casos e assegurar que crianças e adolescentes tenham seus direitos respeitados.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *