Perseguição policial termina de forma trágica nas primeiras horas de 2026

As primeiras horas de 1º de janeiro de 2026 foram marcadas por comoção e perplexidade no município de Viana, na Região Metropolitana de Vitória, no Espírito Santo. Um episódio envolvendo uma perseguição policial terminou de forma trágica e deixou a comunidade local profundamente abalada, reacendendo debates sobre segurança pública, abordagens policiais e o uso proporcional da força.

O caso ocorreu no bairro Nova Bethânia, onde o jovem Lucas David Piffer dos Santos, de 24 anos, perdeu a vida após um incidente envolvendo uma viatura da Polícia Militar. Segundo informações oficiais, Lucas conduzia uma motocicleta durante a madrugada, acompanhado de sua namorada, uma adolescente de 17 anos, quando foi avistado por uma equipe policial em patrulhamento de rotina.

De acordo com a versão apresentada pela Polícia Militar, o casal trafegava sem o uso de capacete, o que motivou a tentativa de abordagem. Ainda segundo os agentes, foi dada ordem de parada, que não teria sido atendida. O motociclista, então, teria acelerado, dando início a uma perseguição pelas ruas do bairro.

Testemunhas relataram que a motocicleta seguia à frente da viatura no mesmo sentido. Ao passar por um quebra-molas, Lucas teria perdido o controle do veículo e caído. A viatura, que vinha logo atrás, não conseguiu parar a tempo e acabou atingindo o jovem. Após o impacto, a motocicleta, seus ocupantes e o carro policial foram lançados para frente, resultando em uma sequência de danos.

A viatura ainda atravessou a rua e colidiu contra uma residência, atingindo parte da estrutura lateral do imóvel. O impacto provocou a queda de destroços no interior da casa, especialmente em um quarto infantil. Apesar do susto, ninguém que estava na residência ficou ferido.

Lucas morreu ainda no local. A adolescente foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) com suspeita de fraturas nos braços e nas pernas e encaminhada ao Hospital São Lucas, em Vitória, onde permanece internada e deve passar por procedimentos cirúrgicos.

Familiares da vítima questionam a condução da ação policial. O pai da adolescente afirmou que houve excesso na abordagem e defendeu que a situação poderia ter sido resolvida sem consequências tão graves. Segundo ele, o casal havia participado da virada do ano em uma confraternização e seguia para a casa de familiares quando ocorreu a tentativa de abordagem.

Um parente de Lucas, Jadilson Rodrigues de Souza, relatou que o jovem havia consumido bebida alcoólica, mas estava consciente. Ele também contestou informações divulgadas inicialmente, afirmando que Lucas possuía habilitação e que a perseguição foi desproporcional para uma infração de trânsito.

A Polícia Militar, por sua vez, informou que Lucas teria perdido o direito de dirigir em 2024, o que o impediria de conduzir veículos legalmente. O policial que dirigia a viatura foi submetido ao teste do etilômetro, que apresentou resultado negativo para consumo de álcool.

A ocorrência foi registrada na Delegacia de Cariacica, onde o agente envolvido prestou depoimento. A Defesa Civil esteve no local para avaliar os danos causados à residência atingida e autorizou o retorno da família ao imóvel, após constatar que não havia risco estrutural imediato.

Moradores do bairro relataram que, devido às comemorações de réveillon, o barulho inicial foi confundido com fogos de artifício. Somente depois perceberam a gravidade da situação. Muitos demonstraram surpresa e tristeza ao se depararem com o cenário de destruição.

O caso ganhou repercussão e reacendeu discussões sobre os limites das perseguições policiais, especialmente em situações envolvendo infrações administrativas, como trânsito. Especialistas defendem a necessidade de protocolos claros que priorizem a preservação de vidas, tanto de civis quanto de agentes de segurança.

As investigações seguem em andamento para esclarecer todos os detalhes do ocorrido. Enquanto isso, a família de Lucas e a comunidade local aguardam respostas e medidas que evitem que episódios semelhantes voltem a acontecer.

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