Amiga de jovem encontrado com vida chora: ‘medo de me matarem’

O desfecho positivo do desaparecimento de Roberto Farias, de 19 anos, trouxe alívio para familiares, amigos e para todos que acompanharam, com apreensão, os dias de buscas na região do Pico do Paraná, o ponto mais alto do Sul do Brasil. Encontrado com vida nesta segunda-feira (05/01), o jovem encerrou um drama que havia começado no primeiro dia do ano, quando se perdeu durante uma trilha em área de mata.

Após ser localizado, Roberto foi encaminhado para atendimento médico. Apesar de apresentar sinais de cansaço extremo, escoriações pelo corpo e estar debilitado, os profissionais de saúde informaram que seu estado geral é estável e que ele não corre risco. A notícia foi recebida com comemoração, fé e gratidão pela família, que nunca deixou de acreditar em um desfecho positivo.

Enquanto o jovem se recupera, outro aspecto do caso ganhou destaque: a repercussão intensa nas redes sociais envolvendo Thaynara Smith, amiga que acompanhava Roberto na trilha no dia do desaparecimento. A jovem passou a ser alvo de críticas, julgamentos e especulações desde que veio a público a informação de que os dois haviam se separado durante o percurso.

Em entrevistas concedidas à imprensa, Thaynara confirmou que decidiu seguir em um ritmo mais acelerado, acompanhando outros trilheiros, enquanto Roberto permaneceu para trás. Segundo ela, a decisão foi tomada por acreditar que o amigo conseguiria seguir o caminho normalmente. No entanto, a situação acabou ganhando contornos muito mais graves do que o esperado.

Com a ampla circulação do caso na internet, surgiram acusações infundadas, teorias e comentários agressivos. Parte dos internautas passou a responsabilizar Thaynara pelo desaparecimento, levantando suspeitas de que ela teria agido de forma intencional para prejudicar o jovem, algo que não foi apontado pelas autoridades.

Abalada emocionalmente, Thaynara chorou ao falar sobre o impacto que a repercussão teve em sua vida. Em um desabafo público após a confirmação de que Roberto estava vivo, ela relatou medo, insegurança e a sensação de estar constantemente sob ameaça.

“É um alívio muito grande. Desde o começo eu dizia que não fiz nada com ele. Muita gente me julgou, atacou, ameaçou a minha família. Eu não consegui ficar na minha própria casa, precisei ir para uma fazenda porque estava com medo. Aqui me senti mais segura, tem polícia, investigação, e a família dele também está acompanhando tudo”, relatou, emocionada.

A jovem também afirmou que colaborou com as investigações desde o início, entregando seu telefone celular às autoridades para análise. Segundo ela, durante esse período, ficou sem meios de comunicação e precisou recorrer a telefones emprestados para falar com familiares e pessoas próximas.

Thaynara destacou ainda que, apesar de toda a exposição, não recebeu suporte emocional ou orientação adequada para lidar com a pressão pública. O sentimento predominante, segundo ela, foi o de vulnerabilidade diante de julgamentos feitos sem conhecimento dos fatos.

Com o resgate de Roberto, a jovem afirmou sentir, além do alívio, a esperança de retomar sua rotina e se afastar do episódio. “Agora é agradecer, voltar para minha cidade, ficar com a minha família, cuidar da minha vida e descansar. Foi um momento muito pesado”, desabafou.

A Polícia Civil do Paraná informou que o caso segue sob apuração apenas para esclarecer completamente as circunstâncias do desaparecimento, mas reforçou que, até o momento, não há indícios de crime. O episódio reacende o debate sobre os impactos das redes sociais em situações delicadas, especialmente quando julgamentos precipitados podem causar danos emocionais profundos a pessoas envolvidas.

O desfecho feliz do resgate trouxe alívio coletivo, mas também deixou lições sobre empatia, cautela e responsabilidade na forma como casos sensíveis são tratados publicamente.

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