A Polícia Civil de São Paulo investiga a morte de uma adolescente de 15 anos ocorrida no último sábado, dia 3 de janeiro, após a jovem ter consumido bebida alcoólica adquirida em uma adega localizada na região de Cidade Tiradentes, na zona leste da capital. O caso mobiliza autoridades de saúde e segurança pública e levanta um alerta sobre a procedência e a comercialização de bebidas no estado.
De acordo com informações apuradas, a adolescente, identificada como Soffia Del Valle Torrealba Ramos, havia saído de casa acompanhada de uma prima, quando se encontrou com um grupo de amigos. Durante o encontro, os jovens adquiriram gin em uma adega da região. Após o consumo da bebida, a adolescente começou a apresentar sinais de mal-estar ainda durante as comemorações de Ano Novo.
Diante do agravamento do quadro, Soffia foi levada ao Hospital Municipal Cidade Tiradentes, onde permaneceu internada por alguns dias. Apesar dos esforços da equipe médica, a jovem não resistiu, e a morte foi confirmada no dia 3 de janeiro. Segundo o boletim médico divulgado, há suspeita de intoxicação por metanol, além de indícios de alterações metabólicas e comprometimento da função renal. O diagnóstico definitivo, no entanto, depende de exames laboratoriais mais detalhados.
Em nota oficial, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que o caso da adolescente integra um conjunto de ocorrências semelhantes que estão sob investigação em diferentes cidades do estado. Ainda segundo a pasta, ao todo, cinco óbitos seguem sendo analisados pelas autoridades de saúde, envolvendo pacientes com idades entre 15 e 39 anos, em municípios como Guariba, São José dos Campos, Cajamar e a capital paulista. As autoridades destacam que as apurações buscam identificar possíveis conexões entre os casos.
A Polícia Civil instaurou inquérito para esclarecer as circunstâncias da morte da adolescente. O caso foi registrado como morte suspeita, e os investigadores aguardam a conclusão do laudo pericial, que deverá confirmar se houve contato com substâncias inadequadas para consumo humano. Somente após a conclusão dessa análise será possível apontar responsabilidades ou descartar determinadas hipóteses.
Durante o andamento das investigações, a polícia realizou uma ação na adega onde a bebida foi comprada. O proprietário do estabelecimento foi preso, porém, segundo as autoridades, a prisão ocorreu por motivos distintos do caso principal, envolvendo ligação clandestina de energia elétrica e armazenamento irregular de fogos de artifício. Ainda assim, bebidas destiladas que estavam sendo comercializadas no local foram apreendidas e encaminhadas para perícia.
Os produtos recolhidos passarão por testes técnicos, que deverão indicar se há ou não irregularidades em sua composição. O objetivo é verificar se existe qualquer risco à saúde relacionado às bebidas comercializadas no estabelecimento.
Paralelamente, a polícia também apura informações sobre a possibilidade de a adolescente ter tido contato com outras substâncias em um local para onde seguiu acompanhada dos amigos e da prima, de 13 anos. Em depoimento, a prima relatou que uma substância branca teria sido oferecida a ela, mas afirmou não saber se Soffia chegou a consumir o material. Essa linha de investigação segue em análise e será esclarecida com base em depoimentos e exames periciais.
As autoridades reforçam que as investigações continuam em andamento e que novas informações serão divulgadas à medida que os laudos técnicos forem concluídos. O caso reacende o debate sobre fiscalização, venda de bebidas e a importância da conscientização sobre os riscos envolvidos no consumo de produtos sem procedência comprovada.