Morre aos 92 anos o autor Manoel Carlos; Entre suas novelas de sucesso estão “Laços de Família” e “Mulheres Apaixonadas”

O Brasil se despediu neste sábado, 10 de janeiro, de um dos maiores nomes da história da teledramaturgia nacional. Morreu, aos 92 anos, no Rio de Janeiro, o autor, diretor, produtor e escritor Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, carinhosamente conhecido como Maneco. Ele estava internado no Hospital Copa Star, na Zona Sul da capital fluminense, onde enfrentava complicações decorrentes da doença de Parkinson.

A informação foi confirmada pelo perfil Boa Palavra e rapidamente repercutiu entre artistas, profissionais da televisão e admiradores de sua obra, que marcou profundamente várias gerações de brasileiros. Em nota divulgada pela família, foi informado que o falecimento ocorreu por volta das 20h e que o velório será restrito a familiares e amigos próximos.

“É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, carinhosamente conhecido como Maneco, ocorrido hoje, aos 92 anos. O velório será fechado e restrito à família e amigos íntimos. A família agradece as manifestações de carinho e solicita respeito e privacidade neste momento delicado”, diz o comunicado.

Reconhecido como um autor sensível e atento às emoções humanas, Manoel Carlos construiu uma carreira marcada por histórias que exploravam com profundidade os sentimentos, os conflitos cotidianos e, sobretudo, as relações familiares. Tornou-se especialmente conhecido por retratar a alma feminina e, de maneira singular, a complexa e afetuosa relação entre mães e filhas, eternizada em um de seus elementos mais emblemáticos: as “Helenas”, personagem recorrente em suas novelas.

Outro traço marcante de sua obra foi a escolha do bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, como cenário frequente de suas tramas. Ali, Maneco ambientou histórias repletas de personagens comuns, com dilemas reais, aproximando o público das narrativas e criando uma identidade própria para suas produções.

Em entrevista ao projeto Memória Globo, o autor resumiu sua forma de escrever ao destacar o contraste entre drama e leveza: “Situo as minhas novelas no Rio de Janeiro. Faço coisas muito fortes, sob um céu muito azul. As tragédias e os dramas acontecem, mas o dia está lindo. A praia e o espírito carioca dão uma coloração mais leve ao contexto, e o público acaba absorvendo as tramas de maneira diferente”.

Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Manoel Carlos deixou uma contribuição inestimável à cultura brasileira. Além das novelas, foi responsável por minisséries que se tornaram referências, como Malu Mulher (1980), considerada pioneira ao abordar questões femininas de forma aberta, Presença de Anita (2001) e Maysa – Quando Fala o Coração (2009).

Entre as novelas de maior sucesso estão títulos que até hoje permanecem vivos na memória do público, como História de Amor, Por Amor, Laços de Família e Mulheres Apaixonadas, produções que alcançaram altos índices de audiência e repercussão social.

Manoel Carlos nasceu em 14 de março de 1933, filho do comerciante José Maria Gonçalves de Almeida e da professora Olga de Azevedo Gonçalves de Almeida. Embora tenha nascido em São Paulo, fazia questão de declarar seu profundo amor pelo Rio de Janeiro, cidade que adotou como lar e cenário de grande parte de sua obra.

Seu início profissional foi distante da televisão. Aos 14 anos, trabalhou como auxiliar de escritório, mas já demonstrava interesse pelas artes ao integrar o grupo Adoradores de Minerva, formado por jovens que se reuniam na Biblioteca Municipal de São Paulo para debater literatura e teatro. Entre os integrantes estavam nomes que também se tornariam referências culturais, como Fernanda Montenegro e Fernando Torres.

Aos 17 anos, em 1951, Manoel Carlos iniciou sua trajetória artística como ator na TV Tupi, onde atuou no Grande Teatro Tupi. No ano seguinte, foi premiado como ator revelação e passou a atuar também como diretor, produtor e autor, consolidando um percurso que o tornaria um dos maiores criadores da televisão brasileira.

A morte de Manoel Carlos representa o encerramento de um capítulo fundamental da dramaturgia nacional, mas seu legado permanece vivo nas histórias que continuam emocionando o público e influenciando novas gerações de autores.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *