Identificado o pastor que foi morto junto com esposa, filhas e neto; crime abalou comunidade evangélica

A cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, amanheceu em clima de consternação nesta quarta-feira, dia 7 de janeiro, após um episódio de extrema gravidade que rompeu a rotina de um bairro conhecido pelo convívio familiar e pela tranquilidade. Um crime ocorrido dentro de uma residência no bairro Santa Cecília resultou na morte de cinco pessoas da mesma família, provocando perplexidade entre moradores, autoridades e membros da comunidade religiosa local.

As vítimas foram identificadas como João Batista Fernandes Souza, de 74 anos, pastor aposentado da Igreja do Nazareno, sua esposa, duas filhas e um neto de apenas cinco anos. A família era conhecida na região por manter uma vida discreta e por sua participação ativa em atividades comunitárias e religiosas, o que intensificou o impacto da notícia entre vizinhos e fiéis.

Segundo informações da Polícia Militar, o principal suspeito do crime é o filho do pastor, que foi localizado pouco tempo depois e preso. De acordo com os relatos oficiais, ele confessou a autoria dos fatos e foi encaminhado à delegacia da Polícia Civil, onde permanece à disposição da Justiça. As investigações iniciais apontam que a ação ocorreu de forma planejada, aproveitando um momento em que parte da família estava em deslocamento.

Imagens de câmeras de segurança instaladas nas proximidades do imóvel registraram parte da movimentação no local e passaram a integrar o conjunto de provas analisadas pelos investigadores. O imóvel onde tudo aconteceu fica na Rua Rita Monteiro, em um conjunto de residências que abriga diferentes núcleos da mesma família.

Os corpos foram encontrados por um parente próximo que chegava para trabalhar e estranhou a ausência de movimentação. Diante da situação, as autoridades foram acionadas imediatamente. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) esteve no local e confirmou que as vítimas já não apresentavam sinais vitais.

De acordo com o tenente-coronel Flávio Tafúri, responsável pelas informações iniciais, o suspeito utilizou um objeto perfurocortante e teria agido de maneira rápida, surpreendendo os familiares. As circunstâncias exatas e a dinâmica completa do ocorrido seguem sob apuração da Polícia Civil, que aguarda laudos periciais para complementar o inquérito.

Quando localizado, o homem estava em seu próprio apartamento. Conforme informado pela polícia, ele realizava atividades que levantaram suspeitas e, ao ser abordado, confirmou sua participação no crime. Familiares relataram às autoridades que o suspeito vinha apresentando alterações significativas de comportamento e episódios de instabilidade emocional nas semanas anteriores, o que reforçou a hipótese de um possível transtorno psicológico em curso.

Apesar dessas informações, a Polícia Civil esclareceu que ainda não há laudo médico oficial que confirme qualquer diagnóstico psiquiátrico. Esse aspecto será analisado ao longo do processo investigativo e poderá influenciar os desdobramentos judiciais do caso.

A morte de João Batista Fernandes Souza causou profunda comoção entre fiéis e colegas de ministério. Além de sua trajetória como pastor, ele também atuava como marceneiro e era reconhecido pela simplicidade, dedicação à família e disposição para ajudar quem o procurava. Amigos próximos relataram que ele enfrentava um tratamento contra câncer de próstata, o que torna a perda ainda mais dolorosa para aqueles que acompanhavam sua luta pessoal.

Em nota oficial, o Conselho de Pastores de Juiz de Fora lamentou profundamente o ocorrido e destacou o legado espiritual deixado pelo religioso. Outras igrejas e instituições cristãs da cidade também se manifestaram, prestando solidariedade aos familiares e pedindo respeito neste momento de luto.

O crime reacende discussões importantes sobre a saúde mental, o acompanhamento familiar e a necessidade de atenção aos sinais de sofrimento emocional. Especialistas apontam que o diálogo, o suporte psicológico e a atuação integrada entre saúde e assistência social são fundamentais para evitar que conflitos internos cheguem a desfechos irreparáveis.

Enquanto a investigação segue, Juiz de Fora permanece em silêncio e reflexão diante de uma tragédia que abalou não apenas uma família, mas toda uma comunidade.

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