A dor de uma mãe que acorda e adormece sem respostas sobre o paradeiro dos próprios filhos é algo que ultrapassa qualquer tentativa de explicação. A ausência de notícias, somada ao passar dos dias, transforma a espera em um exercício diário de resistência emocional, marcado por esperança, medo e uma profunda sensação de vazio.
É essa realidade que vive Clarice Cardoso, mãe de Àgatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos há mais de dez dias na cidade de Bacabal, no interior do Maranhão. Desde o sumiço das crianças, Clarice relata que sua rotina foi completamente interrompida, dando lugar a dias de angústia, noites mal dormidas e uma busca incessante por qualquer informação que leve aos filhos.
Em entrevista recente, a mãe falou com sinceridade sobre o impacto emocional que enfrenta desde o desaparecimento. Segundo ela, a falta de respostas é o que mais machuca. “O que eu espero é que encontrem meus filhos. Se alguém pegou, eu quero saber quem foi e por quê. Isso não sai da minha cabeça”, desabafou, demonstrando o sofrimento de quem vive entre a esperança e a incerteza.
Clarice contou ainda que o desgaste físico e emocional tem sido intenso. Ela afirma que quase não consegue dormir, perdeu o apetite e precisou recorrer a medicação para conseguir algum descanso. “É uma dor que eu não desejo para ninguém. É como se o tempo tivesse parado”, relatou, visivelmente emocionada.
As crianças desapareceram no dia 5 de janeiro, quando brincavam em uma área de mata próxima ao quilombo São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal. Desde então, uma grande operação foi montada para tentar localizar os irmãos. As buscas envolvem mais de 600 pessoas, incluindo equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil, Exército Brasileiro e voluntários da própria comunidade.
Os trabalhos são realizados de forma contínua, abrangendo áreas de mata fechada, trilhas, regiões alagadas e estradas vicinais. Drones, cães farejadores e equipamentos especializados também têm sido utilizados para ampliar o alcance das buscas.
Clique aqui para assistir ao VIDEO
Na última semana, um fato trouxe alívio parcial, mas também aumentou a apreensão da família. Anderson Kauan, de 8 anos, irmão mais velho das crianças, foi encontrado com vida em uma estrada próxima à região onde o grupo havia sido visto pela última vez. O menino estava desorientado e em estado de fragilidade, sendo imediatamente socorrido.
De acordo com informações oficiais, exames realizados confirmaram que Anderson não sofreu nenhum tipo de violência. Ele segue sob acompanhamento médico e psicológico, recebendo cuidados especializados. Apesar disso, o menino não conseguiu fornecer detalhes precisos sobre o paradeiro de Àgatha e Allan, o que mantém o caso cercado de incertezas.
Mesmo diante da ausência de pistas concretas, Clarice afirma que se recusa a desistir. Todos os dias, ela acompanha de perto o trabalho das equipes e se mantém firme na fé. “Eu acredito que eles vão voltar. Enquanto não tiver uma resposta, eu vou continuar esperando”, disse.
A mobilização da comunidade tem sido constante. Moradores, líderes locais e pessoas de outras regiões seguem oferecendo apoio, seja participando das buscas, seja por meio de orações e mensagens de solidariedade à família.
As autoridades reforçam que todas as linhas de investigação seguem abertas e que os esforços não serão interrompidos enquanto houver incertezas sobre o paradeiro das crianças. Para Clarice, cada novo dia representa mais um teste de força, mas também mais uma oportunidade de manter viva a esperança de reencontrar os filhos.