Grave colisão frontal mata 3 pessoas da mesma família; eles iam para o litoral

Os acidentes registrados diariamente nas rodovias brasileiras continuam a provocar consequências profundas e duradouras para famílias inteiras e para as comunidades onde ocorrem. Mesmo com campanhas de conscientização, investimentos em sinalização e fiscalização, fatores como imprudência, fluxo intenso de veículos e limitações estruturais ainda se combinam de forma perigosa, transformando trajetos comuns em episódios marcados pela dor e pela comoção.

Na manhã desta terça-feira, dia 13 de janeiro, um grave acidente registrado na BR-381, no município de Jaguaraçu, na região do Vale do Aço, em Minas Gerais, exemplificou mais uma vez os riscos presentes em um dos trechos mais movimentados do estado. A ocorrência envolveu um automóvel ocupado por uma família que seguia viagem rumo ao litoral da Bahia e um caminhão que trafegava no sentido oposto da via.

De acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a colisão aconteceu por volta das 6h11, no quilômetro 276 da rodovia. A principal hipótese levantada pelos agentes é de que o acidente tenha ocorrido durante uma tentativa de ultrapassagem, manobra que exige atenção redobrada, especialmente em trechos de pista simples e com histórico elevado de ocorrências graves.

No veículo de passeio estavam quatro ocupantes, todos da mesma família, moradores da cidade de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Três deles — um homem de 38 anos, uma mulher de 45 anos e uma adolescente de 12 anos — não resistiram aos ferimentos e tiveram os óbitos constatados ainda no local pelos socorristas.

A única sobrevivente foi uma criança de três anos, que estava corretamente acomodada em uma cadeirinha de segurança no banco traseiro do automóvel. Segundo os profissionais que atenderam a ocorrência, o uso adequado do dispositivo de retenção infantil foi decisivo para preservar a vida da criança, que sofreu ferimentos moderados e foi encaminhada para atendimento hospitalar na cidade de Timóteo. O estado de saúde dela é considerado estável.

O caminhão envolvido no acidente seguia no sentido contrário da rodovia. O motorista não sofreu ferimentos, enquanto um passageiro teve apenas lesões leves e recebeu atendimento médico no local, sem necessidade de encaminhamento hospitalar prolongado.

Por conta da colisão, o tráfego na BR-381 precisou ser parcialmente interditado, conforme informou a concessionária Nova 381, responsável pela administração do trecho. Durante o atendimento à ocorrência e a remoção dos veículos, o fluxo de veículos funcionou no sistema de “Pare e Siga”, causando lentidão e exigindo paciência dos motoristas. A pista só foi totalmente liberada por volta das 9h20 da manhã.

A família seguia viagem com destino ao litoral da Bahia, um percurso bastante comum para mineiros durante o período de férias e alta temporada. O trajeto, no entanto, foi interrompido em um dos trechos mais críticos da rodovia, frequentemente citado em levantamentos oficiais pelo elevado número de colisões, especialmente as frontais.

O acidente reacende discussões antigas sobre a necessidade de duplicação da BR-381, considerada uma das rodovias mais importantes e, ao mesmo tempo, mais perigosas de Minas Gerais. Especialistas em segurança viária apontam que a combinação de pista simples, alto fluxo de veículos pesados e longos trechos sem áreas adequadas para ultrapassagem segura contribui para o alto índice de ocorrências.

Além das obras estruturais, autoridades reforçam a importância da prudência ao volante, do respeito aos limites de velocidade e da atenção constante às condições da via. O episódio também serve como alerta sobre o uso correto de dispositivos de segurança, como cadeirinhas infantis, que continuam sendo fundamentais para a proteção de crianças em deslocamentos rodoviários.

Enquanto as investigações seguem para esclarecer a dinâmica completa do acidente, o caso deixa um alerta e uma reflexão sobre a urgência de ações integradas que envolvam infraestrutura, fiscalização e conscientização para reduzir os riscos nas estradas brasileiras.

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