Mesmo profissionais altamente treinados sabem que o ambiente aquático exige atenção permanente e protocolos rigorosos de segurança. Ainda assim, situações inesperadas podem ocorrer e transformar um gesto simples em uma ocorrência de grandes proporções. Foi o que aconteceu em Itupeva, no interior de São Paulo, em um episódio que comoveu colegas de trabalho, visitantes e a comunidade local.
Guilherme da Guerra Domingos, de 24 anos, atuava como salva-vidas no parque aquático Wet’n Wild havia mais de dois anos. Reconhecido pela dedicação e experiência, ele ocupava desde outubro de 2025 o cargo de líder da equipe de salva-vidas, função que exige preparo técnico, responsabilidade e rápida tomada de decisões em situações de risco.
Na última terça-feira, 13 de janeiro, Guilherme realizava suas atividades normalmente quando foi acionado para auxiliar um visitante que havia perdido uma aliança dentro da atração conhecida como “Water Bomb”. A solicitação, considerada comum em ambientes desse tipo, parecia envolver apenas um procedimento de rotina.
Ao entrar na água para localizar o objeto, no entanto, Guilherme acabou sendo surpreendido por uma situação inesperada. De acordo com o registro policial, ele foi sugado por um dos sistemas de drenagem da piscina e ficou preso no fundo da atração, o que dificultou sua saída imediata.
A ausência prolongada chamou a atenção de outros salva-vidas que atuavam na área. Ao perceberem que algo estava errado, os colegas entraram rapidamente na piscina e conseguiram retirar Guilherme da água. Em seguida, iniciaram os procedimentos de primeiros socorros, mantendo o atendimento até a chegada das equipes de emergência do município.
O jovem foi encaminhado com urgência ao Hospital Nossa Senhora Aparecida, em Itupeva, onde recebeu atendimento médico especializado. Apesar dos esforços das equipes de saúde, Guilherme não resistiu.
A confirmação do falecimento causou grande comoção entre funcionários do parque, familiares e amigos. Em nota oficial, o Wet’n Wild anunciou o fechamento temporário das atividades na quarta-feira, 14 de janeiro, como forma de respeito e para colaborar integralmente com as investigações.
A administração do parque informou que está prestando apoio à família, além de cooperar com as autoridades responsáveis pela apuração do caso. A perícia deverá analisar os sistemas de segurança da atração, incluindo os mecanismos de drenagem, para esclarecer as circunstâncias do ocorrido.
Nas redes sociais, colegas de trabalho e a própria administração do parque prestaram homenagens a Guilherme, destacando seu comprometimento profissional, espírito colaborativo e paixão pela função que exercia. Diversas mensagens ressaltaram que ele era visto como um exemplo dentro da equipe, sempre atento à segurança dos visitantes.
O episódio reacende um debate importante sobre protocolos de segurança em parques aquáticos, especialmente em atrações de grande porte que utilizam sistemas de sucção e drenagem. Especialistas apontam que, mesmo com normas técnicas e fiscalização, a revisão constante de equipamentos e procedimentos é essencial para reduzir riscos.
A tragédia também evidencia que, independentemente do nível de experiência, o ambiente aquático exige respeito absoluto às normas de segurança. Gestos solidários, embora louváveis, precisam estar sempre alinhados a protocolos que garantam a integridade de profissionais e visitantes.
A história de Guilherme da Guerra Domingos deixa um legado de dedicação e alerta. Sua trajetória reforça a importância de investimentos contínuos em segurança, treinamento e manutenção, para que episódios semelhantes sejam evitados e para que o lazer não se transforme em dor.