O triste desabafo da filha de uma das vitimas que foi morta por técnicos de enfermagem: “Meu pai entrou no hospital andando”

A prisão de três técnicos de enfermagem acusados de envolvimento na morte de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal, continua repercutindo fortemente nesta terça-feira (20/01). As investigações da Polícia Civil já confirmaram, até o momento, três mortes classificadas como homicídio, ocorridas dentro da UTI da unidade hospitalar.

Entre as vítimas está João Clemente Pereira, de 63 anos, cuja morte abalou profundamente a família. Em entrevista ao portal Metrópoles, a filha do paciente, Valéria Leal Pereira, relatou como estava o pai pouco antes do falecimento e destacou que ele apresentava sinais claros de recuperação.

Segundo Valéria, João Clemente deu entrada no Hospital Anchieta no dia 4 de novembro do ano passado, após relatar fortes dores de cabeça. Após a realização de exames, os médicos identificaram a presença de um coágulo, o que levou à necessidade de uma cirurgia. O procedimento foi realizado e, inicialmente, o quadro clínico do paciente evoluía de forma considerada satisfatória.

Durante o período de internação, no entanto, João Clemente apresentou complicações relacionadas à intubação, o que provocou problemas pulmonares e motivou sua transferência para a UTI. Ainda assim, conforme relatado pela filha, o pai vinha demonstrando sinais de melhora gradual, sem indicativos de agravamento que justificassem um desfecho fatal.

A situação mudou de forma abrupta no dia 18 de novembro. De acordo com Valéria, sem qualquer explicação clara ou alerta prévio, o pai sofreu quatro paradas cardíacas em sequência e acabou falecendo. O episódio, segundo ela, jamais foi devidamente esclarecido pela equipe médica à época.

“Ele entrou no hospital andando. Saiu daqui de casa dirigindo, tudo normal. Antes do procedimento, ele nos recebeu para conversar e disse que ficaria tudo bem. Porém, foi assassinado”, afirmou Valéria, emocionada, ao relatar a dor da família diante das conclusões preliminares da investigação policial.

A Polícia Civil do Distrito Federal confirmou que três técnicos de enfermagem foram presos sob suspeita de envolvimento direto nas mortes ocorridas na UTI. São eles: Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva. Os três atuavam na unidade no período em que os óbitos foram registrados.

Segundo os investigadores, o caso ainda está em fase de apuração detalhada. A polícia não descarta a possibilidade de envolvimento de outras pessoas, seja por ação direta ou omissão, e trabalha para esclarecer a participação individual de cada um dos acusados. Outro ponto central da investigação é identificar a motivação por trás dos crimes, que ainda não foi oficialmente esclarecida.

O caso veio à tona após a própria administração do Hospital Anchieta identificar irregularidades nos óbitos ocorridos na UTI. Diante da repetição de mortes consideradas atípicas e da análise de protocolos internos, a direção do hospital instaurou uma investigação administrativa e, posteriormente, comunicou os fatos às autoridades policiais.

A partir disso, a Polícia Civil iniciou um inquérito que culminou nas prisões e na abertura da chamada Operação Anúbis. O procedimento segue sob sigilo para preservar as investigações e o direito das famílias envolvidas.

Enquanto o caso avança, familiares das vítimas aguardam por justiça e por respostas que expliquem como pessoas internadas para tratamento acabaram perdendo a vida em um ambiente que deveria oferecer cuidado e proteção.

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