As investigações sobre o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael, ocorrido em Bacabal, no Maranhão, entraram em uma nova e decisiva fase após uma descoberta feita durante a análise pericial de elementos considerados centrais para o caso. O que inicialmente era tratado como um possível episódio de crianças perdidas na mata passou a ser reavaliado pelas autoridades, abrindo espaço para uma linha de apuração mais complexa e preocupante.
A mudança de rumo ocorreu após a perícia técnica analisar as roupas de Anderson Kauã, primo das crianças, de apenas oito anos, que foi encontrado com vida dias depois do desaparecimento. As vestimentas, apontadas inicialmente como uma possível pista fundamental para indicar o trajeto percorrido pelo grupo, acabaram levantando sérias dúvidas entre os investigadores.
Segundo informações apuradas pela Polícia Civil, as roupas de Anderson foram encontradas em uma área da mata que, de acordo com o próprio menino, jamais teria sido visitada por ele. Esse dado chamou atenção dos peritos, especialmente porque o local indicado não fazia parte do percurso descrito nos depoimentos colhidos por meio de escuta especializada.
Outro ponto considerado determinante foi o resultado da atuação dos cães farejadores. Os animais não reconheceram o odor da criança nem no local onde as roupas estavam, nem nos próprios tecidos. Além disso, a perícia constatou que as vestimentas estavam limpas, em condições incompatíveis com a permanência de uma criança por vários dias em uma área de mata fechada, com terreno irregular e vegetação densa.
Diante desses elementos, os investigadores passaram a considerar que as roupas podem ter sido colocadas propositalmente no local, com o objetivo de confundir as equipes de busca e criar uma falsa narrativa sobre o desaparecimento. Com isso, a hipótese de que as crianças simplesmente teriam se perdido perdeu força dentro do inquérito.
A principal linha de investigação agora aponta para a possibilidade de que os irmãos tenham sido levados por terceiros. Essa tese ganhou ainda mais consistência após a análise do rastro de odor deixado pelas crianças. De acordo com os especialistas, os cães farejadores conseguiram seguir o cheiro a partir do casebre onde Ágatha e Allan foram vistos pela última vez, mas o rastro termina de forma abrupta às margens do Rio Mearim.
Para os investigadores, esse detalhe sugere que os irmãos podem ter sido retirados do local por meio fluvial, possivelmente em uma embarcação, o que explicaria a ausência de vestígios físicos ao longo das extensas buscas terrestres realizadas desde o início do caso.
As operações de varredura percorreram aproximadamente duzentos quilômetros, envolvendo mata fechada e áreas próximas ao rio, com a participação integrada da Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Marinha do Brasil. A Marinha, inclusive, concluiu recentemente as buscas no leito do rio sem encontrar indícios de afogamento, o que reforçou a possibilidade de que as crianças não tenham entrado na água.
Com a saturação das buscas físicas, a força-tarefa decidiu redirecionar os esforços para a área de inteligência policial. A Polícia Civil passou a concentrar a apuração no entorno social da família, especialmente no Quilombo São Sebastião dos Pretos, onde as crianças viviam. A mãe e o padrasto dos irmãos foram novamente chamados para prestar depoimento, com o objetivo de esclarecer informações e confrontar dados já levantados.
Diante da gravidade da nova hipótese, a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Civil emitiram um alerta nacional em rodovias, visando identificar qualquer movimentação suspeita que possa envolver os menores.
Enquanto as bases montadas na mata começam a ser desmobilizadas, a estrutura investigativa foi reforçada. O foco agora está no cruzamento de depoimentos, análise de dados e checagem de possíveis deslocamentos.
O tenente-coronel João Carlos Duque afirmou que, embora as buscas em campo tenham sido encerradas, a investigação segue ativa e com expectativa positiva. Segundo ele, a ausência de vestígios no terreno e os novos indícios periciais mantêm viva a esperança de que as crianças possam estar em outro local, sob controle de terceiros, aguardando localização.
O caso segue em investigação e novas informações devem ser divulgadas conforme o avanço das apurações.