O caso da servidora pública Camila Nogueira, de 38 anos, tem chamado a atenção e gerado forte comoção nas redes sociais e entre profissionais da área da saúde. Mãe de dois filhos pequenos e considerada saudável por familiares, Camila teve sua rotina e seus planos interrompidos após complicações graves durante um procedimento cirúrgico realizado em um hospital da cidade do Recife, em agosto de 2025.
No dia 27 daquele mês, Camila foi internada para realizar dois procedimentos classificados como de baixa complexidade: a retirada de cálculos na vesícula e a correção de uma hérnia umbilical adquirida durante sua última gestação. A expectativa era de que a cirurgia fosse rápida, com recuperação tranquila e alta médica ainda no mesmo dia.
No entanto, durante o procedimento, Camila sofreu uma intercorrência grave. Segundo informações apresentadas pela família, ela teve uma parada cardíaca prolongada e permaneceu cerca de 15 minutos sem oxigenação adequada no cérebro, o que resultou em uma lesão neurológica severa. Desde então, a paciente permanece em estado neurológico grave, sob cuidados contínuos.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, o marido de Camila, o médico Paulo Menezes, fez um desabafo emocionado sobre a situação da esposa. Segundo ele, os primeiros sinais de que algo não estava correto surgiram ainda no início da anestesia geral. De acordo com dados analisados posteriormente pela família, haveria indícios de que a ventilação pulmonar não estava ocorrendo de forma adequada naquele momento.
Os registros oficiais do hospital apontam que a cirurgia transcorreu sem intercorrências relevantes e que os parâmetros vitais da paciente se mantiveram estáveis. No entanto, um laudo técnico elaborado por um perito independente, contratado pela família, apresenta conclusões diferentes. O documento indica que Camila teria apresentado episódios de apneia desde os primeiros minutos do procedimento.
Ainda conforme o relatório, alarmes emitidos pelos equipamentos de monitoramento teriam permanecido ativos por mais de um minuto sem a devida resposta da equipe médica. O perito também destaca um atraso significativo no reconhecimento da parada cardiorrespiratória, apontando que a reanimação completa só ocorreu às 11h33, intervalo considerado crítico para a preservação das funções cerebrais.
Diante das conclusões técnicas, os advogados da família protocolaram uma representação formal junto ao Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), solicitando a apuração rigorosa da conduta dos profissionais envolvidos. O objetivo, segundo a defesa, é esclarecer se houve falha técnica na intubação, deficiência no monitoramento dos sinais vitais ou erro humano evitável.
O pronunciamento público de Paulo Menezes vai além da busca por responsabilização. Em seu relato, ele expressa a dor de ver a esposa, descrita como uma mulher ativa, dedicada à família e cheia de projetos, enfrentar uma condição que alterou profundamente a dinâmica familiar. “Tiraram o sonho dela”, afirmou no vídeo, ao mencionar os planos interrompidos.
Enquanto Camila segue recebendo cuidados especializados, o caso permanece sob análise das autoridades competentes e dos órgãos de fiscalização médica. A apuração deverá esclarecer as circunstâncias do ocorrido e apontar se os protocolos de segurança foram devidamente seguidos durante o procedimento cirúrgico.