Enfermeiro que viajaria no ônibus de romeiros que deixou 16 mortos conta o porquê desistiu da viagem

O grave acidente que deixou 16 mortos em São José da Tapera, no Sertão de Alagoas, continua revelando histórias marcadas por dor, comoção e também por decisões que mudaram destinos. Entre os relatos que mais chamaram atenção está o do enfermeiro Cristian Albuquerque, que por pouco não estava a bordo do ônibus envolvido na tragédia.

Cristian fazia parte do grupo de romeiros que retornava de Juazeiro do Norte (CE), onde haviam participado da tradicional Romaria de Nossa Senhora das Candeias, uma das maiores manifestações religiosas do Nordeste. O transporte foi organizado em um comboio de 17 ônibus, alugados pela Prefeitura de Coité do Nóia, município de origem dos fiéis.

Segundo o enfermeiro, ele chegou a embarcar no ônibus de número 16, justamente o veículo que acabou se envolvendo no acidente fatal. No entanto, minutos antes da partida definitiva, decidiu descer e trocar de ônibus. O motivo, aparentemente simples, acabou sendo decisivo: ele não conseguiu ocupar a poltrona que desejava.

“Não teve nada de especial, foi algo que não dá para explicar racionalmente”, relatou Cristian em entrevista. Em tom emocionado, ele afirmou que acredita que sua decisão foi guiada por algo maior. “Só consigo agradecer a Deus e pedir conforto para as famílias que perderam seus entes queridos”, disse.

O acidente ocorreu na região do Distrito Caboclo, em um trecho da rodovia que corta o município de São José da Tapera. De acordo com informações preliminares, o motorista perdeu o controle do ônibus, que saiu da pista e capotou violentamente. O impacto causou mortes imediatas e deixou vários feridos, alguns em estado grave.

Equipes do Corpo de Bombeiros, do Samu e da Polícia Militar foram acionadas para atender a ocorrência. O resgate foi descrito como complexo, exigindo horas de trabalho em meio aos destroços do veículo. Durante os atendimentos, uma informação trouxe ainda mais preocupação: a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que o transporte era clandestino, ou seja, não possuía autorização regular para o tipo de serviço realizado.

Essa irregularidade passou a ser um dos principais focos da investigação, que agora busca esclarecer as condições do ônibus, a situação do motorista, a responsabilidade da empresa envolvida e a legalidade da contratação do transporte. A Polícia Civil deve apurar se houve negligência ou falhas que contribuíram para a tragédia.

Enquanto isso, Coité do Nóia vive dias de luto. Um velório coletivo foi organizado em um ginásio da cidade, reunindo familiares, amigos e moradores que tentam lidar com a perda repentina de tantas vidas. A comoção é visível, e o clima é de profunda tristeza.

A Prefeitura de Juazeiro do Norte também divulgou nota oficial lamentando o ocorrido e prestando solidariedade às famílias das vítimas. Já os feridos seguem recebendo atendimento médico em unidades de saúde da região.

O relato do enfermeiro Cristian Albuquerque se soma às muitas histórias que emergem após grandes tragédias, reforçando como decisões aparentemente pequenas podem ter consequências irreversíveis — e como a fé e a reflexão se tornam refúgio em meio à dor coletiva.

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