O caso que chocou moradores de Crateús, no interior do Ceará, teve novos desdobramentos após a Justiça decidir conceder liberdade ao jovem de 20 anos que confessou ter matado o padrasto dentro da residência da família.
O suspeito, identificado como Pedro Lucas de Souza Holanda, foi preso em flagrante na noite de quarta-feira (18), após o homicídio de Gilson Pereira da Silva, de 48 anos. O crime ocorreu na localidade de Boa Vista, no bairro Ponte Preta.
Segundo informações da Polícia Civil, o fato aconteceu por volta das 21h. Em depoimento, Pedro Lucas relatou que foi até a casa onde o padrasto costumava permanecer e ficou do lado de fora por cerca de uma hora. De acordo com sua versão, quando Gilson saiu para descartar alimento, foi surpreendido com um golpe de faca no peito, seguido de outros golpes.
A vítima caiu ferida e morreu dentro do imóvel, em um espaço entre a cama e a área da cozinha.
Após o ocorrido, o jovem retornou para casa, contou à mãe o que havia feito, tomou banho, lavou a faca utilizada e, por volta das 22h20, apresentou-se espontaneamente na Delegacia Regional de Polícia Civil de Crateús. Ele confessou o crime e indicou aos policiais onde estava a arma, que foi apreendida.
Equipes policiais foram ao local e confirmaram o óbito. O corpo foi encaminhado ao Núcleo da Perícia Forense para os procedimentos legais.
No momento da prisão, Pedro Lucas afirmou que o crime foi motivado por desavenças familiares e alegou que o padrasto agredia sua mãe. Testemunhas também relataram histórico de conflitos na residência.
O jovem foi autuado por homicídio doloso e permaneceu detido até passar por audiência de custódia na quinta-feira (19).
Durante a audiência, a defesa alegou que ele teria agido em legítima defesa de terceiro, ao tentar proteger a mãe de uma suposta agressão, além de mencionar ameaças anteriores. O juiz considerou que o acusado é réu primário, se apresentou voluntariamente, confessou o crime e colaborou com as investigações.
Com base nesses elementos, o magistrado entendeu que não havia, naquele momento, necessidade de decretação de prisão preventiva. A prisão em flagrante foi relaxada, e o jovem responderá ao processo em liberdade.
A Polícia Civil continua investigando o caso para esclarecer completamente a dinâmica dos fatos e verificar se houve legítima defesa ou eventual excesso na conduta.