A Justiça de São Paulo condenou Leonardo Silva a 31 anos e seis meses de prisão, em regime inicial fechado, pela morte de Nilza Costa Pingoud, de 62 anos. O crime ocorreu em julho de 2023, em Barretos (SP). A condenação foi por latrocínio (roubo seguido de morte). Ainda cabe recurso da decisão.
A sentença foi proferida na segunda-feira (26) pelo juiz Luciano de Oliveira Silva, que destacou que o crime foi cometido com extrema frieza e requintes de crueldade, tendo como vítima uma idosa, além de envolver ocultação de cadáver, o que gerou grande comoção social.
Além da pena de prisão, o réu foi condenado ao pagamento de 30 dias-multa e ao pagamento de indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares da vítima. A Justiça também determinou que objetos comprados por Leonardo com o dinheiro de Nilza, após o crime, sejam entregues à família.
Dinâmica do crime
Nilza morava sozinha havia cerca de quatro anos, desde que ficou viúva. Em maio de 2023, Leonardo, natural de Minas Gerais, passou a morar nos fundos da casa da vítima após se apresentar como travesti e pedir ajuda. Ela chegou a contratá-lo para realizar serviços domésticos, mas encerrou o acordo por insatisfação com o trabalho.
Segundo as investigações, inconformado com o rompimento, Leonardo deixou Barretos, mas retornou à cidade no dia 22 de julho, passando a observar a rotina da vítima.
Na madrugada do dia 24 de julho, ele pulou o muro da residência, se escondeu em um cômodo nos fundos e, ao amanhecer, surpreendeu Nilza, que foi morta por asfixia com um fio.
Após o assassinato, Leonardo permaneceu alguns dias no local, limpou a casa e enterrou o corpo no quintal, utilizando materiais de construção para ocultar o cadáver.
Descoberta e prisão
Vizinhos estranharam o desaparecimento de Nilza e acionaram a polícia. Ao entrarem no imóvel, que possuía sistemas de segurança, os agentes notaram alterações no jardim e localizaram o corpo enterrado.
Leonardo foi preso em 3 de agosto de 2023, no município de Planura (MG). Na ocasião, chamou atenção pela postura debochada ao confessar o crime, afirmando que não se arrependia.
Laudo psiquiátrico
Durante o processo, a defesa apresentou um laudo particular alegando insanidade mental. No entanto, exames determinados pela Justiça concluíram que Leonardo tinha plena capacidade de compreender o caráter ilícito de seus atos no momento do crime.
O advogado de defesa, Luiz Gustavo Vicente Penna, informou que já entrou com recurso junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo.