O desaparecimento de Ágatha Isabelly e Allan Michael, no interior do Maranhão, já ultrapassa duas semanas e permanece cercado de dúvidas. Mesmo com uma das maiores operações de busca já realizadas na região, o caso continua sem respostas concretas. A seguir, os cinco principais mistérios que desafiam investigadores, familiares e voluntários.
1️⃣ A ausência total de vestígios físicos
Um dos pontos mais intrigantes da investigação é a inexistência de provas materiais. Não foram encontrados objetos pessoais, roupas, pegadas contínuas ou sinais claros de deslocamento, algo considerado extremamente incomum em buscas prolongadas em áreas de mata.
Mesmo após a varredura de mais de 3.200 km², o silêncio do terreno levanta dúvidas sobre se as crianças realmente permaneceram todo o tempo na floresta.
2️⃣ O enigma da “casa caída”
A estrutura abandonada conhecida como “casa caída” é o único ponto concreto confirmado na trajetória das crianças. Cães farejadores identificaram que Ágatha e Allan passaram pelo local, mas nenhum rastro foi encontrado depois disso.
A interrupção abrupta dos sinais cria um vazio difícil de explicar e levanta hipóteses conflitantes: desde entrada em área alagada até a possibilidade de intervenção de terceiros.
3️⃣ A separação inexplicada do primo
O depoimento de Anderson Kauã, de 8 anos, é fundamental, mas cercado de fragilidades. Ele afirma que os primos ficaram para trás por estarem exaustos, mas não consegue detalhar como ocorreu a separação, nem por que apenas ele conseguiu sair da mata.
Investigadores tratam o relato com cautela, considerando possíveis apagões de memória causados por trauma, comuns em situações extremas de sobrevivência infantil.
4️⃣ A hipótese do “atalho fatal”
Segundo a polícia, as crianças teriam tentado entrar na mata por um caminho alternativo para evitar o tio, que havia pedido que retornassem para casa.
A autoconfiança em um território considerado “conhecido” pode ter sido decisiva para o erro de orientação. O mistério está em como, mesmo assim, elas se afastaram tanto a ponto de não conseguirem retornar.
5️⃣ O silêncio do Rio Mearim
Com as buscas terrestres praticamente esgotadas, o foco agora se voltou para o Rio Mearim. A Marinha utiliza sonar de varredura lateral para descartar a hipótese de afogamento.
Até o momento, porém, nenhum indício foi localizado, mantendo aberta a dúvida sobre se o rio realmente teve participação no desfecho do caso.
Investigação segue sob sigilo
Mais de 500 voluntários participam das buscas, em uma demonstração de solidariedade da comunidade quilombola e regiões vizinhas. Ao mesmo tempo, esse grande fluxo de pessoas impõe desafios para preservar possíveis vestígios.
O governo mantém a investigação sob sigilo parcial, tentando equilibrar o rigor técnico, a pressão pública e a esperança da família, enquanto o caso segue como um dos mais complexos e angustiantes do estado.