“Foi um choque”: esposa relata como a família recebeu a noticia da morte de carteiro vítima de técnicos de enfermagem

A confirmação da morte de Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, marcou de forma irreversível a vida de seus familiares. Carteiro, trabalhador dedicado e descrito como uma pessoa tranquila e responsável, Marcos é uma das três vítimas apontadas pela Polícia Civil do Distrito Federal no caso que investiga a atuação criminosa de técnicos de enfermagem na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga.

Em entrevista ao portal Metrópoles, a esposa de Marcos descreveu o impacto da notícia como um verdadeiro choque. Segundo ela, nada indicava que a ida ao hospital terminaria em tragédia. O jovem deu entrada na unidade hospitalar no mês de novembro, apresentando dores abdominais, e os médicos investigavam uma possível pancreatite.

“Ele chegou consciente, conversando normalmente com a equipe médica. Estava estável. A gente nunca imaginou que algo assim pudesse acontecer”, relatou, ainda abalada.

Quadro clínico mudou de forma repentina

De acordo com a família, ainda no mesmo dia da internação, Marcos sofreu uma parada cardíaca inesperada, o que levou à sua intubação imediata. Após o procedimento, ele foi encaminhado para a UTI, onde permaneceu internado por 13 dias, em estado grave.

Durante esse período, os familiares viveram dias de apreensão, acreditando que o quadro, apesar de delicado, poderia ser revertido. No entanto, em 1º de dezembro, a equipe médica comunicou o falecimento do paciente após uma nova parada cardíaca.

A notícia causou profunda comoção entre parentes e amigos, mas, naquele momento, a família ainda acreditava que a morte tivesse sido resultado de complicações clínicas naturais. Essa percepção começou a mudar dias depois.

Investigação interna revelou indícios de crime

O próprio Hospital Anchieta passou a estranhar a sequência de eventos envolvendo o óbito de Marcos e de outros pacientes internados na UTI. Diante das inconsistências observadas, a instituição abriu uma investigação administrativa interna para apurar as circunstâncias das mortes.

Segundo as apurações, a parada cardíaca que levou Marcos à morte teria sido provocada pela aplicação intencional de uma substância incorreta, o que levantou a suspeita de homicídio. A descoberta levou a direção do hospital a tomar uma medida incomum: procurar diretamente a Polícia Civil e solicitar a abertura de um inquérito.

No dia 13 de dezembro, 12 dias após a morte, a família de Marcos foi chamada ao hospital para receber esclarecimentos formais sobre o que havia sido descoberto até então. O encontro marcou um novo momento de dor, agora acompanhado de indignação.

Técnicos foram demitidos antes da prisão

Antes mesmo da instauração oficial do inquérito policial, o Hospital Anchieta decidiu demitir os três técnicos de enfermagem envolvidos no caso. Posteriormente, com o avanço das investigações, os profissionais foram presos preventivamente, acusados de causar a morte intencional de três pacientes.

Em nota, o hospital afirmou que colaborou integralmente com as autoridades:

“Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos.”

Caso gera comoção e revolta

O caso ganhou ampla repercussão nesta semana após a divulgação de novos detalhes pela Polícia Civil do DF, incluindo imagens, depoimentos e laudos preliminares que reforçam a suspeita de homicídios praticados dentro da UTI.

Para a família de Marcos, além da dor da perda, permanece o sentimento de incredulidade. “Ele entrou andando no hospital. Saiu de casa confiando que seria cuidado. Nunca pensamos que ele correria perigo ali dentro”, lamentou a esposa.

A investigação segue em andamento e busca esclarecer a motivação dos crimes, além de verificar se outros pacientes podem ter sido vítimas. Enquanto isso, famílias como a de Marcos aguardam justiça e respostas que possam, ao menos, trazer algum sentido diante de uma perda tão abrupta.

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