A morte da empresária Bárbara Denise Folha de Oliveira, de 34 anos, segue cercada de detalhes que reforçam a gravidade do caso e o contexto de tensão vivido pela vítima antes do crime. Um vídeo gravado por ela mesma, horas antes de ser encontrada sem vida, passou a integrar as investigações conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo.
As imagens foram registradas dentro do apartamento de Bárbara, em São Vicente, no litoral paulista, e mostram um momento de forte conflito com o ex-marido, Manoel Ferro de Melo, de 38 anos. No vídeo, o homem aparece chorando e se recusando a deixar o imóvel, apesar dos insistentes pedidos da empresária.
Durante a gravação, Bárbara tenta de diversas formas fazer com que Manoel vá embora. Ela reúne roupas e documentos dele, oferece dinheiro, transporte por aplicativo e até alimentos, sugerindo que ele fique na casa da mãe ou com o filho do casal. Mesmo assim, o ex-marido demonstra resistência, afirma estar emocionalmente abalado e tenta sensibilizá-la.
Bárbara foi encontrada morta na terça-feira (20) pela própria mãe, Edileia Moreira Filha de Oliveira, e pelo filho de 14 anos. Os dois decidiram ir até o apartamento após estranharem a falta de contato da empresária.
Segundo a mãe da vítima, o último contato telefônico com a filha ocorreu na noite de segunda-feira (19). Durante a conversa, Bárbara demonstrou medo da presença do ex-marido no local e preocupação com possíveis danos ao imóvel. Após a ligação, ela enviou o vídeo e áudios relatando a situação para familiares próximos, pedindo ajuda.
Edileia contou que só conseguiu assistir ao material horas depois, já na madrugada, sem imaginar que a filha seria encontrada morta no dia seguinte.
O ex-marido foi localizado na capital paulista e preso na madrugada de quinta-feira (22). Posteriormente, ele confessou participação no crime. De acordo com a polícia, Manoel entrou em contato com as autoridades manifestando o desejo de se entregar, alegando temer represálias.
Durante o depoimento, ele afirmou ter colocado moedas nos olhos, na boca e em outras cavidades do corpo da vítima. Segundo o delegado responsável pelo caso, o gesto teria ligação com uma suposta crença espiritual. A polícia ainda aguarda o laudo necroscópico para determinar se esses atos ocorreram antes ou após a morte.
O delegado classificou o crime como extremamente cruel, destacando indícios de planejamento e reforçando que todos os elementos — incluindo os vídeos, áudios e a disposição do corpo — serão analisados minuciosamente.
O caso causou forte comoção na região e reacendeu o debate sobre os riscos enfrentados por mulheres em contextos de separação marcados por conflitos e instabilidade emocional. As investigações seguem em andamento para esclarecer completamente a dinâmica do crime e suas motivações.