Procedimentos estéticos costumam ser procurados por pessoas que desejam melhorar a autoestima e o bem-estar. No entanto, especialistas alertam que intervenções desse tipo também envolvem cuidados contínuos e possíveis efeitos ao longo do tempo, nem sempre amplamente discutidos antes da cirurgia.
Foi a partir de um sinal inesperado que a influenciadora digital e comediante Evelin Camargo decidiu buscar atendimento médico e acabou descobrindo uma condição rara associada ao uso de implantes mamários. No fim de dezembro, ela percebeu um aumento repentino em uma das mamas, algo que surgiu de forma rápida e fora do padrão habitual.
Inicialmente, a suspeita levantada foi uma das mais comuns entre mulheres que utilizam próteses de silicone: um possível rompimento do implante. Exames de imagem, no entanto, descartaram essa hipótese, já que a prótese estava intacta. O que chamou a atenção dos profissionais de saúde foi a presença de líquido acumulado ao redor do implante, um quadro conhecido como seroma tardio.
Esse tipo de alteração não costuma surgir muitos anos após a cirurgia, o que levou a equipe médica a aprofundar a investigação. Evelin passou então por um procedimento de punção para retirada do líquido e por análises laboratoriais mais detalhadas.
Os exames confirmaram o diagnóstico de linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários, conhecido pela sigla BIA-ALCL. Apesar de se manifestar na região das mamas, os especialistas ressaltam que essa condição não é classificada como câncer de mama. Trata-se de uma doença do sistema linfático que, na maioria dos casos, se desenvolve na cápsula fibrosa formada naturalmente pelo organismo ao redor do implante.
Segundo médicos, essa distinção é fundamental, pois influencia diretamente o tipo de tratamento e o prognóstico. Quando identificado precocemente e restrito à cápsula, como no caso da influenciadora, o tratamento costuma ser cirúrgico, envolvendo a retirada do implante e do tecido ao redor.
Estudos científicos apontam que o BIA-ALCL é considerado raro e costuma surgir, em média, entre sete e dez anos após a colocação das próteses, embora possa ocorrer fora desse intervalo. Pesquisas também indicam uma associação mais frequente com implantes de superfície texturizada, possivelmente devido a processos inflamatórios prolongados.
Ao decidir tornar o diagnóstico público, Evelin Camargo afirmou que seu objetivo não foi gerar medo, mas alertar outras mulheres sobre a importância de observar mudanças no corpo e manter acompanhamento médico regular. Especialistas reforçam que implantes mamários não são definitivos e exigem avaliações periódicas, mesmo quando não há sintomas aparentes.
Informação, vigilância e diálogo com profissionais de saúde continuam sendo as principais ferramentas para quem opta por procedimentos estéticos, especialmente aqueles que envolvem dispositivos implantáveis.