Um crime brutal ocorrido na madrugada da última quarta-feira (31) deixou uma comunidade inteira em estado de choque em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, e reacendeu um debate urgente sobre a efetividade das medidas de proteção destinadas a mulheres vítimas de violência doméstica.
A vítima foi Cinthya Micaelli Soares Rolliz, de 26 anos, assassinada dentro da própria residência pelo ex-companheiro, mesmo estando amparada por uma medida protetiva judicial que determinava o afastamento do agressor.
Segundo familiares, Cinthya havia encerrado o relacionamento há cerca de três meses, mas o homem não aceitava a separação. Desde então, passou a ameaçá-la constantemente, além de perseguir pessoas próximas à jovem. As intimidações teriam sido formalmente registradas, mas, ainda assim, não impediram o desfecho trágico.
De acordo com os relatos, o suspeito invadiu a casa durante a madrugada, enquanto Cinthya dormia. No momento do ataque, ela estava deitada ao lado da filha de apenas cinco anos, que não foi ferida fisicamente, mas presenciou a violência e entrou em profundo estado de choque.
A criança precisou de atendimento psicológico imediato. Em meio ao desespero, ela repetia a frase que comoveu familiares e profissionais de saúde:
“O papai matou a mamãe.”
A mãe da vítima, Ângela Fernandes Soares, de 48 anos, descreveu um histórico de convivência marcado por ciúmes excessivos, agressividade e perseguições constantes, mesmo após o fim do relacionamento. Segundo ela, o agressor continuava rondando a residência e o local de trabalho da filha.
“Ela vivia com medo, mas tentava seguir a vida por causa da filha. Buscou ajuda, registrou ocorrências, tinha medida protetiva, e mesmo assim isso aconteceu”, lamentou Ângela.
Familiares afirmam que Cinthya tentava reconstruir a rotina e tinha planos para o início de janeiro, incluindo uma viagem para comemorar o aniversário. O contraste entre os projetos interrompidos e a violência do crime tornou a perda ainda mais dolorosa para amigos e parentes.
O caso expõe, mais uma vez, a vulnerabilidade de mulheres mesmo quando há decisões judiciais em vigor, levantando questionamentos sobre monitoramento de agressores, resposta rápida das autoridades e mecanismos mais eficazes de prevenção em situações de risco iminente.
Enquanto a investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil, a família clama por justiça e por mudanças que possam impedir que outras mulheres tenham o mesmo destino.
A tragédia de Cinthya reforça um alerta urgente: medidas legais precisam ser acompanhadas de ações efetivas, capazes de garantir que a proteção determinada no papel se traduza em segurança real.