Jovem resgatado após desaparecer por 5 dias no Pico Paraná quebra o silêncio sobre amiga que o deixou para trás: ‘Não..’

O jovem Roberto Farias Thomaz, de 20 anos, falou pela primeira vez após ser localizado em uma trilha no Pico Paraná, no litoral do estado, depois de passar cinco dias isolado em meio à natureza. Em entrevista concedida à CNN Brasil na manhã desta terça-feira (6), ele revelou que ainda não teve contato direto com a amiga Thayane Smith, que o acompanhava no início da trilha e seguiu o percurso sem ele.

Internado em uma unidade hospitalar para acompanhamento médico, Roberto explicou que ainda não teve acesso ao próprio telefone celular. Segundo ele, todas as informações sobre a repercussão do caso, bem como as declarações dadas por Thayane à imprensa e nas redes sociais, estão sendo transmitidas por sua irmã, Renata Thomaz, que o acompanha desde o resgate.

Durante o período em que permaneceu sozinho na montanha, Roberto afirmou que chegou a acreditar que as buscas por ele haviam sido encerradas. A percepção surgiu após avistar um helicóptero apenas no primeiro dia de desaparecimento. Nos dias seguintes, sem novos sinais de resgate, o jovem relatou ter se sentido completamente isolado, cercado apenas pelo ambiente natural, com animais, insetos, vegetação densa e o som constante das cachoeiras da região.

O caso ganhou grande repercussão nacional e gerou debates intensos nas redes sociais, especialmente em relação à postura adotada por Thayane Smith após deixar o local. Antes de Roberto ser encontrado, a jovem publicou mensagens nas quais sugeria que o amigo não possuía o mesmo preparo físico ou “ritmo” para trilhas mais exigentes. Algumas postagens, que incluíam emojis e comentários considerados inadequados por internautas, provocaram indignação entre usuários e voluntários envolvidos nas buscas.

Posteriormente, em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, Thayane adotou um tom mais reflexivo. Ela reconheceu que sua decisão foi equivocada, admitiu ter agido de forma irresponsável e afirmou que desrespeitou regras básicas do montanhismo ao não retornar junto com o companheiro. Segundo ela, o episódio serviu como aprendizado e motivo de arrependimento.

De acordo com informações apuradas durante as investigações, Roberto já apresentava sinais de mal-estar físico ainda durante a subida ao Pico Paraná. Relatos indicam que ele chegou a passar mal e vomitar antes de alcançar o cume, na madrugada do dia 1º de janeiro. Após um breve descanso, a dupla iniciou a descida, momento em que acabaram se separando em um trecho da trilha.

A operação de resgate mobilizou uma grande força-tarefa e durou cerca de 100 horas. Equipes especializadas, voluntários e autoridades atuaram de forma integrada, utilizando aeronaves equipadas com câmeras térmicas, além de buscas terrestres em áreas de difícil acesso. O esforço coletivo foi fundamental para a localização do jovem, que foi encontrado consciente e recebeu atendimento imediato.

As autoridades também destacaram que Roberto não havia realizado o cadastro obrigatório exigido para o acesso ao parque, medida considerada essencial para a segurança dos visitantes. O registro permite que equipes de resgate tenham informações prévias sobre quem está na área, facilitando ações emergenciais em casos de imprevistos.

O episódio reacende discussões importantes sobre segurança em trilhas, planejamento adequado, respeito aos limites físicos e a importância de nunca abandonar um companheiro durante atividades em ambientes naturais. Especialistas reforçam que trilhas exigem preparo, comunicação constante e responsabilidade coletiva, especialmente em locais de grande complexidade como o Pico Paraná.

Em recuperação, Roberto segue sob observação médica e cercado pelo apoio da família, enquanto o caso continua sendo analisado pelas autoridades responsáveis.

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