O desaparecimento de uma criança costuma provocar um impacto imediato não apenas na família, mas em toda a comunidade ao redor. A sensação de incerteza, aliada à passagem do tempo, transforma cada minuto em um período de grande apreensão. Esse é o clima vivido desde a tarde da última quinta-feira, 29 de janeiro, no distrito de Bituri, em Jeceaba, na Região Central de Minas Gerais, após o sumiço de Alice Maciel Lacerda Lisboa, de apenas 4 anos.
Alice, que possui diagnóstico de transtorno do espectro autista e não se comunica verbalmente, foi vista pela última vez por volta das 14h30 no sítio onde a avó reside. Segundo informações repassadas pela família, o desaparecimento ocorreu em um intervalo muito curto de tempo, o que aumentou a preocupação desde os primeiros momentos.
De acordo com os relatos, a criança estava na companhia da avó, do avô e do irmão mais novo quando conseguiu sair sozinha pelo portão da varanda da residência. O portão costuma permanecer fechado, e a saída da menina não foi percebida imediatamente. Ao notarem sua ausência, os familiares iniciaram buscas rápidas ao redor da casa, mas não obtiveram sucesso.
O comportamento chamou atenção, pois Alice costuma permanecer em áreas conhecidas do sítio, como o entorno da casa e o espaço próximo à piscina. Diante da confirmação do desaparecimento, moradores da região foram acionados e se uniram aos familiares em uma mobilização espontânea.
Cerca de 100 pessoas passaram a auxiliar nas buscas, que também contam com o apoio da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil. Córregos, áreas abertas, pastagens e trechos de mata próximos à propriedade começaram a ser vasculhados ainda no primeiro dia.
O Corpo de Bombeiros montou uma operação estruturada, com 21 militares atuando diretamente no caso. Cães treinados para busca por odor foram utilizados e indicaram uma área de mata próxima ao local onde Alice foi vista pela última vez, considerada um ponto prioritário nas diligências iniciais.
Além disso, drones equipados com câmeras térmicas foram empregados para sobrevoar a região, especialmente durante a noite e a madrugada. Até o momento, porém, nenhum indício conclusivo foi localizado. Nesta sexta-feira, 30 de janeiro, os trabalhos foram intensificados, com ampliação do perímetro de busca e reavaliação de áreas já percorridas.
As condições do terreno têm representado um desafio adicional. A região apresenta relevo irregular, com encostas, vegetação densa e áreas de difícil acesso. A ocorrência de chuvas em alguns momentos também dificulta o deslocamento das equipes e a preservação de possíveis vestígios.
A Polícia Civil informou que instaurou procedimento para acompanhar o caso e apurar todas as circunstâncias relacionadas ao desaparecimento. Enquanto as buscas continuam, familiares permanecem no local, acompanhando de perto os trabalhos e mantendo a esperança de um desfecho positivo.
O caso comove moradores de Jeceaba e cidades vizinhas, que seguem mobilizados e solidários, aguardando notícias sobre o paradeiro de Alice.