O início de 2026 foi marcado por profunda comoção no município de Alfenas, no Sul de Minas Gerais. Uma tragédia envolvendo duas adolescentes da mesma família abalou a comunidade local e levantou questionamentos que seguem sendo analisados pelas autoridades. O caso, ocorrido nas primeiras horas do dia 1º de janeiro, permanece envolto em mistério e está sob investigação da Polícia Civil.
As vítimas são duas irmãs, de 15 e 17 anos, encontradas sem vida dentro da própria residência. A descoberta foi feita pela mãe das adolescentes, que trabalha na área da saúde e havia acabado de retornar para casa após cumprir um plantão noturno. Ao entrar na residência pela manhã, ela se deparou com as filhas em seus respectivos quartos, em uma cena silenciosa que rapidamente se transformou em um dos episódios mais dolorosos já registrados pela família.
Imediatamente, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, ainda antes da chegada da Polícia Civil. No local, as equipes médicas constataram que as jovens já não apresentavam sinais vitais. Segundo informações preliminares divulgadas pelas autoridades, não havia indícios visíveis de violência ou luta corporal, e as adolescentes aparentavam estar em repouso no momento em que foram encontradas.
Diante da complexidade do caso, os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML), onde exames detalhados estão sendo realizados. Os laudos periciais deverão esclarecer a causa das mortes e fornecer subsídios técnicos para a condução da investigação. A Polícia Civil informou que, por enquanto, não é possível divulgar detalhes adicionais, justamente para não comprometer o andamento do trabalho investigativo.
Entre as hipóteses consideradas está a possibilidade de um ato cometido pelas próprias adolescentes, embora essa linha ainda não tenha sido confirmada. As autoridades reforçam que qualquer conclusão só será possível após a análise completa dos exames periciais, do ambiente da residência e de eventuais materiais encontrados no local. Familiares e pessoas próximas também deverão ser ouvidas nos próximos dias.
A tragédia causou forte impacto emocional na cidade de Alfenas. Amigos, colegas de escola e moradores manifestaram solidariedade à família, tanto presencialmente quanto por meio das redes sociais. O pai das adolescentes utilizou seus perfis para prestar uma homenagem discreta e comovente às filhas, expressando o amor e a dor da despedida, além de informar sobre os detalhes do velório, realizado no Velório Municipal da cidade.
Casos como esse reacendem discussões importantes sobre saúde mental na adolescência, um período marcado por transformações emocionais, sociais e psicológicas intensas. Especialistas ressaltam que, embora muitos sinais possam ser sutis, o diálogo constante, a escuta ativa e o acompanhamento psicológico são ferramentas fundamentais para o acolhimento de jovens.
Além do núcleo familiar, escolas, serviços de saúde e a própria comunidade desempenham papel essencial na construção de redes de apoio capazes de identificar situações de vulnerabilidade. O fortalecimento desses vínculos pode ser decisivo para a prevenção de episódios trágicos e para a promoção do bem-estar emocional de adolescentes.
Enquanto a investigação segue em andamento, o clima em Alfenas é de luto e reflexão. O silêncio que marcou a manhã do primeiro dia do ano deu lugar a um sentimento coletivo de solidariedade, respeito e espera por respostas. A Polícia Civil reforça que trabalha com responsabilidade e cautela para esclarecer os fatos e garantir que todas as circunstâncias sejam devidamente apuradas.