Momentos antes de ter sido encontrada morta, áudio traz à tona discursão: ‘Você vai morrer…

O início de 2026 tem sido marcado por uma sequência alarmante de crimes contra mulheres no Brasil, reforçando o debate sobre a violência doméstica, a reincidência de agressores e as falhas nos mecanismos de proteção às vítimas. Em Londrina, no norte do Paraná, um caso recente causou forte comoção ao expor não apenas a brutalidade do crime, mas também os sinais claros de perigo ignorados antes do desfecho fatal.

A vítima foi identificada como Roseli Machado Clementino, de 32 anos, encontrada sem vida no banheiro da residência onde morava, no último domingo, 11 de janeiro. Inicialmente, o companheiro dela, Luciano Borges Vieira, de 42 anos, tentou sustentar a versão de que Roseli teria morrido por uma overdose. No entanto, a tentativa de encobrir o crime foi rapidamente descartada pelas autoridades.

De acordo com o laudo da Polícia Científica do Paraná, a causa da morte foi hemorragia interna associada a lesões traumáticas graves, incompatíveis com qualquer hipótese de overdose ou mal súbito. O exame apontou sinais claros de agressões físicas severas, o que reforçou a suspeita de homicídio.

Com o avanço das investigações, a polícia teve acesso a áudios gravados pela própria vítima antes de morrer. O conteúdo das gravações é considerado perturbador. Nelas, Luciano faz ameaças diretas, afirmando que Roseli iria morrer “na pancada” e dizendo, em tom frio, que o período de fim de ano seria “propício para matar pessoas”.

Além das ameaças, mensagens enviadas por Roseli a amigos revelam um cenário de desespero e sofrimento físico intenso. Em um dos relatos, a mulher afirma sentir dores extremas e descreve a sensação de estar com “tudo quebrado por dentro”, implorando por ajuda após ter sido violentamente agredida.

A investigação também revelou que Luciano já possuía histórico de violência doméstica. No ano anterior, ele chegou a agredir Roseli com um martelo, episódio que havia sido registrado pelas autoridades. Mesmo assim, a convivência entre vítima e agressor continuou, situação comum em casos de violência doméstica, marcada por medo, dependência emocional e ausência de proteção efetiva.

Testemunhas relataram à polícia que ouviram confissões do agressor durante a madrugada do crime, nas quais ele teria admitido as agressões. Luciano foi preso em flagrante, optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório e agora responderá por feminicídio, crime cuja pena pode ultrapassar 30 anos de prisão.

Roseli era natural de Faxinal (PR) e foi sepultada na manhã de segunda-feira, 12 de janeiro. Ela deixa três filhos pequenos, com idades entre 3 e 8 anos, que agora ficam sob os cuidados de familiares.

A Delegacia da Mulher de Londrina conduz o inquérito e avalia que, diante do conjunto de provas — áudios, mensagens, laudos periciais e testemunhos —, a conclusão do caso deve ocorrer de forma célere. Para os investigadores, trata-se de um crime anunciado, no qual os alertas emitidos pela própria vítima foram ignorados ou não resultaram em proteção suficiente.

O caso reacende um alerta nacional sobre a necessidade urgente de fortalecer redes de apoio, garantir o cumprimento rigoroso de medidas protetivas e oferecer respostas rápidas a mulheres que denunciam ameaças e agressões. Assim como em outros episódios recentes registrados em diferentes estados, os sinais estavam presentes muito antes da tragédia.

A morte de Roseli não é apenas um caso policial, mas um retrato doloroso de uma realidade que segue vitimando mulheres em todo o país, exigindo ações mais firmes do Estado e maior conscientização da sociedade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *