Otimista e acolhedora: quem era a professora de 41 anos morta dentro de sala de aula por aluno

A professora Juliana Santiago, de 41 anos, era descrita por colegas e alunos como uma mulher otimista, acessível e profundamente comprometida com a educação. Sua morte, ocorrida de forma brutal dentro de uma sala de aula de uma faculdade particular em Porto Velho (RO), interrompeu não apenas uma trajetória profissional sólida, mas também sonhos, vínculos afetivos e uma vocação marcada pelo cuidado com o outro.

Juliana lecionava no curso de Direito do Centro Universitário Aparício Carvalho (Fimca) e era reconhecida pelo modo humano com que conduzia as aulas. Mais do que transmitir conteúdo técnico, ela fazia questão de escutar, orientar e estimular o pensamento crítico, especialmente entre alunos que demonstravam dificuldades emocionais ou acadêmicas.

Colegas de trabalho relatam que Juliana acreditava no diálogo como principal ferramenta de transformação. Costumava dizer que o ambiente acadêmico precisava ser um espaço seguro, onde dúvidas pudessem ser expostas sem medo e onde conflitos fossem resolvidos com conversa e empatia. Esse perfil acolhedor fez com que se tornasse uma referência dentro da instituição.

Alunos lembram que ela tinha o hábito de permanecer na sala mesmo após o término da aula para esclarecer dúvidas, aconselhar e, muitas vezes, ouvir desabafos. “Ela tratava a gente como seres humanos, não apenas como alunos”, relatou uma estudante que preferiu não se identificar. Para muitos, Juliana representava um porto seguro dentro da rotina intensa da faculdade.

Fora da sala de aula, a professora mantinha uma vida discreta, dedicada à família e aos estudos. Era apaixonada pelo Direito e acreditava no papel transformador da educação na construção de uma sociedade mais justa. Amigos próximos afirmam que ela estava em um momento de estabilidade pessoal e profissional, com planos para continuar se especializando e ampliando sua atuação acadêmica.

O ataque, ocorrido na noite do dia 6 de fevereiro, chocou profundamente a comunidade acadêmica. Juliana foi atingida por golpes de faca desferidos por um aluno e, apesar de ter sido socorrida, não resistiu aos ferimentos. O autor foi contido por estudantes e preso em flagrante. A motivação do crime ainda é investigada pelas autoridades.

Após o ocorrido, a faculdade suspendeu as aulas e decretou luto institucional. Em nota, destacou o legado deixado pela professora e lamentou a perda irreparável. Estudantes, docentes e moradores da cidade realizaram homenagens, destacando a doçura, a dedicação e o compromisso ético que marcaram a trajetória de Juliana.

A morte da professora reacende debates urgentes sobre segurança em instituições de ensino, saúde mental, prevenção de conflitos e proteção de educadores. Para aqueles que conviveram com Juliana Santiago, porém, o que permanece é a lembrança de uma mulher que escolheu ensinar com o coração aberto — e que será lembrada não apenas pela forma como partiu, mas pela maneira como viveu e impactou tantas vidas.

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