As investigações sobre o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelle, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, seguem mobilizando autoridades, familiares e a comunidade do município de Bacabal, no interior do Maranhão. Nesta quarta-feira (14), o caso completou dez dias sem respostas definitivas, enquanto novas declarações do padrasto das crianças trouxeram esclarecimentos importantes para o andamento das apurações.
Desde o início das buscas, Márcio Silva, padrasto das crianças, passou a ser alvo de questionamentos após ter deixado a cidade no mesmo dia em que os irmãos desapareceram. Diante das suspeitas levantadas nas redes sociais e em parte da opinião pública, ele apresentou à Polícia Civil documentos que comprovam que sua viagem a Curitiba, com escala em São Luís, estava previamente agendada por motivos profissionais.
Em entrevista concedida ao programa Cidade Alerta, Márcio relatou como tomou conhecimento do desaparecimento. Segundo ele, tanto ele quanto a mãe das crianças receberam ligações e mensagens de áudio sucessivas, informando que os pequenos não haviam retornado para casa após saírem para brincar. Ao perceber a gravidade da situação, o casal decidiu retornar imediatamente à zona rural, onde passaram a acompanhar de perto as buscas.
O desaparecimento ocorreu no quilombo São Sebastião dos Pretos, uma área de vegetação extensa e de difícil acesso. No dia do ocorrido, Ágatha e Allan saíram para brincar acompanhados do primo Anderson Kauã Barbosa Reis, de 8 anos. Os três entraram em uma área de mata próxima às residências, mas apenas Anderson foi localizado dias depois.
O menino foi encontrado no último dia 7 de janeiro, após cerca de 72 horas desaparecido, por produtores rurais que circulavam pela região. Ele estava sem roupas e visivelmente debilitado, sendo imediatamente encaminhado para atendimento médico. Em depoimento às autoridades, Anderson afirmou que o grupo entrou na mata por conta própria e acabou se perdendo, descartando, naquele momento, a hipótese de que alguém os tivesse levado.
Apesar do relato, Márcio Silva demonstrou cautela ao comentar as declarações do menino. Segundo ele, Anderson possui diagnóstico de transtorno do espectro autista, o que exige uma avaliação ainda mais cuidadosa do depoimento. “A gente respeita o que ele disse, mas a dor e a incerteza continuam. Só vamos ter paz quando tudo for esclarecido”, afirmou.
As autoridades confirmaram que exames realizados em Anderson descartaram qualquer tipo de abuso, informação que foi reforçada pelo governo do Maranhão. Ainda assim, a família segue em estado de aflição, aguardando respostas sobre o paradeiro das duas crianças.
No campo operacional, a busca pelos irmãos se transformou em uma das maiores já realizadas na região. A força-tarefa envolve mais de 500 pessoas, incluindo equipes do Corpo de Bombeiros, policiais militares e civis, militares do Exército Brasileiro e dezenas de voluntários. As ações incluem varreduras terrestres, uso de drones, cães farejadores e análise de áreas alagadas e de mata fechada.
Nos últimos dias, peças de roupas infantis encontradas por voluntários chegaram a gerar expectativa, mas após análise, as autoridades concluíram que os objetos não pertencem a Ágatha nem a Allan, descartando qualquer ligação direta com o caso.
Como forma de incentivar o surgimento de novas pistas, a prefeitura de Bacabal mantém a oferta de uma recompensa de R$ 20 mil para quem fornecer informações concretas que ajudem a localizar as crianças. O poder público reforça que qualquer denúncia pode ser feita de forma anônima.
Enquanto as investigações continuam, a comunidade quilombola e familiares permanecem mobilizados, unidos por orações, vigílias e esperança. As autoridades garantem que as buscas não serão interrompidas até que o caso seja totalmente esclarecido e que todas as linhas de investigação continuam sendo consideradas.