O reaparecimento do passaporte de Eliza Samudio, localizado recentemente em Portugal, voltou a despertar atenção nacional e trouxe novos questionamentos a um dos casos mais marcantes da história recente do país. Mesmo após mais de uma década, o desaparecimento da jovem continua cercado por lacunas, dúvidas e informações que surgem de forma inesperada, mantendo o episódio vivo no debate público.
O documento foi encontrado em um apartamento na cidade de Lisboa, por um morador identificado apenas como José. Segundo o relato, o passaporte estava guardado em uma estante, entre livros, e foi localizado durante a organização do imóvel. Ao perceber o nome estampado no documento, o morador afirmou ter ficado surpreso e, diante da relevância do caso, optou por entregar o material às autoridades brasileiras.
O passaporte foi encaminhado ao Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, que confirmou sua autenticidade e comunicou oficialmente o Itamaraty. As autoridades brasileiras informaram ainda que não há registro da emissão de uma segunda via do documento, o que amplia as dúvidas sobre o caminho percorrido pelo passaporte ao longo dos anos.
A família de Eliza, representada por sua mãe, Sônia Moura, preferiu não se manifestar publicamente neste momento. No entanto, pessoas próximas relataram surpresa com a descoberta, já que sempre se acreditou que os pertences pessoais e documentos da jovem tivessem sido destruídos após seu desaparecimento, ocorrido em 2010.
Além do local onde o passaporte foi encontrado, outro ponto que tem chamado atenção diz respeito à fotografia presente no documento. Em entrevista ao jornal Extra, uma pessoa próxima de Eliza afirmou reconhecer a imagem e levantou a possibilidade de que a foto tenha sido tirada em um período em que a jovem estaria grávida. Segundo essa fonte, a aparência registrada na imagem não condiziria com a data oficial de emissão do passaporte.
“Eu me lembro dessa foto. Eliza estava com o rosto mais cheio por causa da gravidez. Para mim, não faz sentido essa imagem estar em um documento datado de 2007”, declarou a pessoa, destacando a inconsistência percebida.
De acordo com registros oficiais, o passaporte teria sido emitido em 2006, e há apenas uma entrada registrada de Eliza em Portugal, em maio de 2007. Não constam carimbos de saída nem registros de viagens posteriores para outros destinos internacionais, o que aumenta ainda mais as dúvidas sobre a trajetória do documento e sobre como ele permaneceu preservado por tantos anos em um imóvel europeu.
Essas informações levantam questionamentos sobre quem teria levado o passaporte até Portugal, em que circunstâncias ele foi deixado no local e por que permaneceu guardado sem ser notado durante tanto tempo. Para investigadores e pessoas que acompanham o caso, cada novo detalhe contribui para um cenário ainda mais complexo.
O desaparecimento de Eliza Samudio ocorreu em 2010, quando ela tinha 25 anos. Seu corpo nunca foi encontrado. Em 2013, o ex-goleiro Bruno Fernandes foi condenado pelo envolvimento no caso, incluindo outros crimes relacionados. Atualmente em liberdade condicional, ele voltou recentemente ao noticiário esportivo ao anunciar seu retorno ao futebol profissional, o que reacendeu debates e reações nas redes sociais.
A descoberta do passaporte acontece em meio a esse novo momento de exposição pública do ex-atleta. Uma publicação feita por ele nas redes sociais logo após a divulgação da notícia, com a legenda “De olho no lance”, gerou repercussão e foi interpretada por muitos como insensível diante da gravidade do caso.
Mais de uma década depois, o surgimento desse objeto pessoal de Eliza Samudio reforça a sensação de que a história ainda não está completamente esclarecida. Para familiares, amigos e para a sociedade, cada novo elemento reabre feridas e reacende a esperança de que, algum dia, todas as perguntas encontrem respostas.