As investigações sobre o desaparecimento de Ágatha Isabelly e Allan Michael, ocorrido no município de Bacabal, no Maranhão, ganharam um novo e delicado desdobramento. A Polícia Civil confirmou que a mãe e o padrasto das crianças passaram a ser formalmente considerados suspeitos no inquérito que apura o caso, que já dura mais de duas semanas e mobiliza forças de segurança, voluntários e a comunidade local.
A mudança no status do casal ocorreu após a identificação de contradições relevantes nos depoimentos prestados por ambos, especialmente em relação aos acontecimentos do dia 4 de janeiro, data em que os irmãos desapareceram. Segundo os investigadores, as versões apresentadas pelo casal não se mostraram plenamente compatíveis entre si nem com os elementos já reunidos pela apuração.
Demora nas buscas levantou suspeitas
Um dos pontos que mais chamou a atenção da Polícia Civil foi a demora para o acionamento das autoridades após o desaparecimento das crianças. A mãe e o padrasto alegaram que teriam seguido uma orientação de moradores da região, que sugeriram aguardar 24 horas antes de procurar ajuda oficial.
No entanto, os investigadores consideraram a justificativa frágil, sobretudo diante da idade das crianças e do ambiente de risco em que elas teriam se perdido, caracterizado por mata fechada e proximidade com o Rio Mearim. Essa inconsistência levou a polícia a convocar o casal para novas oitivas reservadas, com o objetivo de confrontar as versões e esclarecer eventuais omissões ou negligências.
As autoridades reforçam que a inclusão como suspeitos não representa uma condenação, mas indica que o núcleo familiar passou a integrar formalmente uma das linhas investigativas do caso.
Retorno do primo às áreas de busca
Enquanto a investigação avança no campo jurídico, o trabalho operacional ganhou um reforço estratégico com o retorno de Anderson Kauan, primo de 8 anos das crianças, às áreas onde o grupo teria circulado antes do desaparecimento.
O menino, que também se perdeu na mata e foi localizado dias depois, recebeu acompanhamento médico e psicológico antes de colaborar novamente com as buscas. Com autorização judicial e sob supervisão de equipes especializadas, Anderson refez alguns trajetos, na tentativa de reativar memórias possivelmente bloqueadas pelo trauma vivido.
Durante essas diligências, cães farejadores conseguiram identificar o rastro das crianças até a margem do Rio Mearim, reforçando a hipótese de que o deslocamento tenha avançado em direção ao curso d’água.
Buscas no rio seguem sem resultados
Apesar da intensificação das buscas fluviais, incluindo o uso de sonar de varredura lateral da Marinha, até o momento nenhum corpo ou objeto submerso foi localizado. O resultado negativo mantém o caso em um cenário de incerteza, dividido entre a possibilidade de um acidente envolvendo o rio e outras hipóteses que seguem sob análise.
A ausência de vestígios materiais concretos continua sendo um dos maiores desafios da investigação, considerada uma das mais complexas da região nos últimos anos.
Novas linhas de investigação
Com a inclusão da mãe e do padrasto como suspeitos, a Polícia Civil agora amplia o foco para possíveis responsabilidades dentro do círculo familiar, incluindo a análise de negligência, omissão ou outras condutas que possam ter contribuído para o desaparecimento.
O inquérito segue sob sigilo parcial, e novas informações deverão ser divulgadas conforme o avanço das apurações. Enquanto isso, familiares, moradores da comunidade quilombola e voluntários seguem mobilizados, alimentando a esperança de respostas concretas sobre o paradeiro de Ágatha e Allan.
O caso permanece aberto e em evolução, com autoridades reforçando que todas as hipóteses continuam sendo consideradas.