Um momento que deveria ser marcado por convivência, fé e alegria terminou em dor profunda no município de Irupi, localizado na região do Caparaó do Espírito Santo. Na tarde da última segunda-feira, 12 de janeiro, a pequena Hellem Roque Fernandes, de apenas 6 anos, perdeu a vida após se afogar durante uma confraternização promovida por uma igreja em um sítio da cidade.
O caso chocou moradores da região e reacendeu o debate sobre a importância da vigilância constante de crianças em ambientes com água, especialmente durante eventos coletivos, quando a atenção dos adultos pode se dividir entre atividades sociais.
Segundo informações confirmadas pela Polícia Militar, a confraternização reunia membros da comunidade religiosa e familiares, incluindo os pais da criança. O encontro acontecia em um sítio que possuía área de lazer com piscina, utilizada pelos participantes ao longo do dia.
Em determinado momento da programação, os adultos e demais participantes se afastaram da área da piscina para participar de uma brincadeira coletiva organizada durante o evento. Foi nesse intervalo que Hellem deixou de ser vista pelos familiares.
Ao perceberem a ausência da criança, os responsáveis iniciaram uma busca imediata pelo local. Pouco depois, Hellem foi encontrada dentro da piscina, já inconsciente. Pessoas presentes tentaram prestar os primeiros socorros, realizando manobras de reanimação e respiração boca a boca enquanto aguardavam a chegada de ajuda médica.
A criança foi socorrida e encaminhada ao Pronto Atendimento de Ibatiba, município vizinho, onde recebeu atendimento emergencial. Apesar dos esforços da equipe médica, Hellem não resistiu e o óbito foi confirmado pouco tempo depois.
A Polícia Civil do Espírito Santo informou que os pais da criança foram ouvidos formalmente e, após prestarem depoimento, foram liberados. O caso está sob investigação da Delegacia de Polícia de Irupi, que apura as circunstâncias do afogamento, incluindo as condições de segurança da piscina e a dinâmica do ocorrido.
Até o momento, não há indícios de crime, e o caso é tratado como uma tragédia acidental, comum em ocorrências desse tipo. Ainda assim, a polícia busca esclarecer todos os detalhes para concluir o inquérito de forma técnica e transparente.
Afogamento infantil: um risco silencioso
Autoridades e especialistas em segurança aquática reforçam que o afogamento está entre as principais causas de morte acidental de crianças no Brasil, especialmente na faixa etária de até 9 anos. O perigo é ainda maior em situações em que há aglomeração de pessoas, festas ou confraternizações, pois a responsabilidade pela vigilância acaba sendo diluída entre vários adultos.
De acordo com especialistas, bastam poucos segundos de distração para que uma criança pequena se coloque em risco. Diferentemente do que muitos imaginam, o afogamento costuma ser silencioso, sem gritos ou movimentos bruscos, o que dificulta a percepção imediata da situação.
Entre as orientações mais importantes estão:
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Crianças devem estar sempre sob supervisão direta e exclusiva de um adulto responsável;
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Piscinas devem possuir barreiras físicas, como cercas e portões de segurança;
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Durante eventos, é fundamental definir claramente quem está responsável pela vigilância das crianças;
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O uso de boias ou coletes não substitui a supervisão constante.
Comunidade em luto
A morte de Hellem causou forte comoção em Irupi. Moradores, líderes religiosos e membros da comunidade expressaram solidariedade à família, destacando a dor de uma perda tão precoce e inesperada. Mensagens de apoio e pedidos de oração circularam entre fiéis e nas redes sociais locais.
O caso serve como um alerta doloroso, mas necessário, sobre os riscos que ambientes aquáticos representam para crianças pequenas. Piscinas, rios, cachoeiras e praias exigem atenção redobrada, independentemente da experiência dos adultos ou da sensação de segurança do local.
Enquanto a família enfrenta o luto, a tragédia de Hellem reforça uma mensagem essencial: prevenir ainda é a forma mais eficaz de proteger vidas, especialmente quando se trata de crianças.