A violência urbana segue produzindo impactos profundos e, muitas vezes, atinge pessoas que não têm qualquer relação com situações de risco ou conflitos. Em regiões marcadas pela insegurança, atividades simples do cotidiano — como visitar familiares ou participar de uma comemoração — podem se transformar em experiências traumáticas para famílias inteiras, deixando consequências irreparáveis.
Foi em um cenário como esse que Sophia Loren Soares Camilo, de apenas 10 anos, perdeu a vida na tarde deste sábado, dia 31 de janeiro, no município de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A menina estava acompanhada do pai e seguia de carro para a festa de aniversário de um primo, um compromisso familiar que deveria ser marcado por alegria e encontro entre parentes.
Durante o trajeto, o veículo em que pai e filha estavam foi abordado por um homem armado na comunidade conhecida como Gogó da Ema, localizada no bairro Bom Pastor. De acordo com relatos de familiares, o pai de Sophia reduziu a velocidade do carro, acionou o pisca-alerta e tentou sinalizar que se tratava de um morador da região, sem qualquer intenção de confronto.
Apesar da tentativa de demonstrar que se tratava de um deslocamento comum, diversos disparos atingiram o automóvel. A lataria ficou marcada por pelo menos oito perfurações. Sophia, que estava sentada no banco de trás, foi atingida por vários tiros. O pai também ficou ferido durante a ação.
Mesmo machucado, o homem conseguiu conduzir o veículo até uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) próxima, onde recebeu os primeiros atendimentos junto com a filha. Em seguida, ambos foram transferidos para um hospital em Duque de Caxias, onde a equipe médica realizou todos os procedimentos possíveis. Apesar dos esforços, Sophia não resistiu aos ferimentos. O pai segue internado e se recupera sob acompanhamento médico.
Testemunhas relataram que, após o ocorrido, o autor dos disparos tentou se esconder na região. Policiais militares foram acionados, realizaram buscas e conseguiram localizá-lo ainda no mesmo dia. O homem foi preso em flagrante, e a arma utilizada foi apreendida.
A investigação do caso está sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), que busca esclarecer as circunstâncias da abordagem, bem como a motivação do ataque. As autoridades trabalham para reunir depoimentos e elementos que auxiliem no andamento do inquérito.
Familiares descrevem Sophia como uma criança alegre, carinhosa e muito próxima da família. A morte da menina gerou forte comoção entre moradores da região e reacendeu debates sobre a segurança de civis em áreas vulneráveis, especialmente durante deslocamentos rotineiros.
O caso reforça a preocupação com a proteção de pessoas que apenas tentam seguir suas rotinas e evidencia a necessidade de políticas públicas voltadas à segurança e à preservação de vidas inocentes.