Um vídeo gravado pela própria vítima se tornou peça central na investigação da morte da corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos, em Caldas Novas (GO). As imagens, recuperadas após perícia técnica no celular da vítima, mostram o momento em que ela é surpreendida no subsolo do prédio onde morava.
A gravação foi divulgada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (19) e ajudou a esclarecer a dinâmica do crime, ocorrido em dezembro de 2024. O corpo da corretora foi encontrado mais de 40 dias depois em uma área de mata a cerca de 15 quilômetros da cidade.
No vídeo, Daiane aparece descendo pelo elevador até a garagem do edifício para verificar uma suposta queda de energia em um dos apartamentos que administrava. Assim que a porta se abre, o síndico do condomínio, Cléber Rosa de Oliveira, surge nas imagens.
Segundo os investigadores, ele já aguardava a vítima no local. A apuração aponta que o suspeito usava luvas e havia posicionado o veículo estrategicamente nas proximidades, o que reforça a hipótese de premeditação.
O celular utilizado para fazer a gravação foi localizado 41 dias após o crime, escondido em uma tubulação de esgoto do próprio condomínio. De acordo com a polícia, o síndico — que já estava preso — indicou o local onde o aparelho havia sido descartado.
A gravação do momento do ataque não chegou a ser enviada a uma amiga, como outros registros feitos anteriormente pela vítima, mas permaneceu armazenada no dispositivo.
A perícia concluiu que os disparos foram efetuados fora do prédio, o que explicaria a ausência de relatos de tiros por parte dos moradores. A arma utilizada teria sido uma pistola calibre .380.
Durante as investigações, vieram à tona conflitos anteriores entre Daiane e o síndico, principalmente relacionados à administração de imóveis pertencentes à família da vítima. Há registros de disputas judiciais e denúncia por perseguição contra o suspeito.
O filho do síndico, Maicon Douglas de Oliveira, chegou a ser preso sob suspeita de auxiliar na ocultação de provas, mas foi liberado após a polícia descartar sua participação direta no homicídio.
A recuperação do vídeo foi considerada decisiva para confirmar que o crime foi planejado, encerrando um período de incertezas e consolidando os elementos reunidos ao longo da investigação.