O que deveria ser apenas mais um dia comum de trabalho terminou de forma trágica e irreparável, causando comoção profunda e indignação coletiva em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O velório da adolescente de 16 anos, morta durante um ataque dentro de uma padaria, foi marcado por forte emoção, revolta e um sentimento generalizado de incredulidade diante do ocorrido.
Desde as primeiras horas da manhã, familiares, amigos, colegas de trabalho e moradores da região começaram a se reunir no Cemitério Porto Seguro para a despedida da jovem. O clima era de silêncio intercalado por choro, abraços apertados e desabafos carregados de dor. Muitos tinham dificuldade em aceitar que uma adolescente, descrita como tranquila, dedicada e cheia de sonhos, teve a vida interrompida de maneira tão abrupta enquanto cumpria sua rotina profissional.
Parentes próximos destacaram que Nathiely Kamilly Fernandes Faria era muito querida no ambiente de trabalho e mantinha planos simples, mas cheios de significado, como ajudar a família e construir seu próprio futuro. A sensação compartilhada entre os presentes era de que uma história que ainda estava começando foi interrompida de forma injusta, deixando um vazio difícil de explicar.
Uma das primas da jovem relatou, durante o velório, que a situação gerou ainda mais revolta pelo fato de o principal suspeito ser alguém que fazia parte do convívio da adolescente. Segundo familiares, o relacionamento recente entre os dois era conturbado e já despertava preocupações. Discussões frequentes e atitudes consideradas desrespeitosas teriam sido percebidas por pessoas próximas, o que reforça, segundo a família, a importância de atenção a sinais de comportamento agressivo, mesmo em relações consideradas recentes ou informais.
O episódio não vitimou apenas Nathiely. No mesmo ataque, uma cliente de 56 anos e outra adolescente de 14 anos, também funcionária do estabelecimento, perderam a vida. As três estavam na padaria no momento da ação, o que ampliou o sentimento de insegurança entre moradores da região. Muitos relataram que o local sempre foi visto como um espaço simples, familiar e frequentado por pessoas conhecidas do bairro.
Durante o velório, moradores expressaram medo, mas principalmente indignação diante da repetição de casos de violência envolvendo mulheres e adolescentes. Para muitos, o episódio evidencia a urgência de políticas mais efetivas de prevenção, proteção e acompanhamento em situações de conflitos interpessoais.
A tia e madrinha de Nathiely afirmou que a família está emocionalmente abalada e cobrou respostas rápidas e firmes das autoridades. Para ela, a sensação é de abandono e de que tragédias semelhantes continuam ocorrendo sem que medidas eficazes sejam adotadas para evitar novos episódios.
O sepultamento foi acompanhado por manifestações silenciosas de apoio e pedidos por justiça. Entre lágrimas e despedidas, familiares e amigos reforçaram que a memória da adolescente será preservada como símbolo de carinho, dedicação e juventude interrompida cedo demais. O caso segue sob investigação, enquanto a comunidade aguarda esclarecimentos e responsabilização dos envolvidos.