VIDEO: Imagens mostram técnicos de enfermagem injetando substância que tirou a vida de três pacientes

Um caso de extrema gravidade envolvendo profissionais da saúde está sob investigação no Distrito Federal e tem causado forte repercussão. Três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, morreram após a administração intencional de substâncias por técnicos de enfermagem da própria unidade hospitalar.

As mortes ocorreram nos dias 17 de novembro e 1º de dezembro do ano passado e passaram a ser tratadas como homicídios após a análise de imagens de câmeras de segurança, que registraram toda a ação dos suspeitos dentro do hospital.

Acesso indevido e uso de substâncias letais

De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal, as imagens mostram o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, acessando o sistema interno do hospital utilizando as credenciais de uma médica que não estava em plantão no momento.

Com esse acesso indevido, ele conseguiu prescrever e retirar da farmácia hospitalar uma substância considerada letal, que posteriormente foi aplicada em pacientes internados na UTI. As gravações também mostram a participação da técnica de enfermagem Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos, manuseando o mesmo composto.

Em um dos registros mais chocantes, Marcos Vinícius aparece aplicando desinfetante por via intravenosa em um paciente, enquanto observa a equipe médica tentar, sem sucesso, reverter o quadro clínico com procedimentos de emergência.

Três presos e mais uma investigada

Além de Marcos Vinícius e Marcela Camilly, Amanda Rodrigues de Sousa também foi presa durante a operação policial, elevando para três o número de profissionais detidos até o momento.

Uma quarta técnica de enfermagem está sendo formalmente investigada e responde por homicídio doloso qualificado, embora ainda não tenha sido presa.

Inicialmente, os suspeitos alegaram que apenas cumpriam prescrições médicas. No entanto, após serem confrontados com as imagens e demais provas, mudaram suas versões, o que reforçou as suspeitas de atuação criminosa.

Segundo o delegado responsável pelo caso, os investigados não demonstraram arrependimento durante os depoimentos e não apresentaram justificativa clara para as ações que levaram à morte dos pacientes.

Operação Anúbis e avanço das investigações

A investigação faz parte da Operação Anúbis, deflagrada no dia 11 de janeiro, que cumpriu mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em diversas regiões do DF e Entorno, incluindo Taguatinga, Brazlândia, Ceilândia, Samambaia e Águas Lindas (GO).

Durante a operação, foram apreendidos celulares, computadores e outros materiais, que agora passam por perícia. A polícia busca esclarecer com precisão o papel de cada envolvido e identificar se há outros profissionais que possam ter participado ou facilitado as ações.

Falhas graves e impacto na confiança do sistema de saúde

O caso expõe falhas críticas nos protocolos de controle interno, especialmente no acesso a sistemas de prescrição médica e na liberação de medicamentos de uso restrito. Especialistas apontam que situações como essa evidenciam a necessidade urgente de medidas mais rigorosas de fiscalização, auditoria e rastreabilidade dentro de unidades hospitalares.

Além do impacto técnico, o episódio causou profundo abalo emocional às famílias das vítimas e à comunidade médica, levantando questionamentos sobre segurança, ética profissional e proteção dos pacientes mais vulneráveis.

As investigações seguem em andamento, e novas informações devem ser divulgadas conforme a conclusão das análises periciais e dos depoimentos complementares.

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