Um menino de 11 anos foi encontrado sem vida dentro da casa onde morava com a família, na noite desta segunda-feira (11/5), no bairro Cidade Kemel, na zona leste de São Paulo. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil e causou grande comoção após indícios de maus-tratos serem identificados no local.
De acordo com informações da Polícia Militar, o pai da criança foi preso após admitir que costumava manter o filho preso por correntes para impedir que ele saísse de casa. A declaração foi feita durante o atendimento da ocorrência, acionada inicialmente por profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Os socorristas comunicaram a polícia ao encontrarem o garoto já sem sinais vitais e com sinais que levantaram suspeitas de violência. No imóvel, os agentes localizaram a criança caída próxima à cama de um dos quartos. Segundo os relatos policiais, o menino apresentava marcas e hematomas nos braços, mãos e pernas.
Ainda conforme a ocorrência, o pai negou outros tipos de agressão, afirmando que utilizava as correntes apenas para evitar que o filho fosse para a rua. O caso, no entanto, segue sendo apurado pelas autoridades, que buscam esclarecer todas as circunstâncias envolvendo a morte da criança.
Durante a investigação inicial, também foi constatado que o menino não frequentava a escola e apresentava sinais de desnutrição, informação que aumentou a preocupação das autoridades responsáveis pelo caso.
Na residência, policiais encontraram ainda outras duas crianças, de 2 e 12 anos. Uma delas possui diagnóstico de autismo. Ambas foram acolhidas pelo Conselho Tutelar e recebem acompanhamento especializado.
A madrasta e a avó paterna da vítima também foram ouvidas. Segundo a polícia, elas afirmaram ter conhecimento de que o menino era mantido preso, mas disseram não ter interferido na situação. Apesar de não terem sido presas até o momento, as duas seguem sendo investigadas.
A casa passou por perícia técnica, e novas análises devem auxiliar no andamento das investigações. Informações ligadas ao caso apontam que a família teria se mudado de Bauru para a capital paulista em 2024.
A Polícia Civil registrou a ocorrência como suspeita de tortura e maus-tratos. O caso continua sob investigação, e as autoridades devem ouvir novas testemunhas nos próximos dias para esclarecer todos os detalhes da tragédia.