O Ministério da Saúde confirmou o primeiro registro no Brasil de um caso associado ao subclado K da Influenza A H3N2, variante que vem sendo monitorada internacionalmente. A identificação ocorreu no estado do Pará e foi divulgada em informe oficial sobre síndromes gripais.
De acordo com a análise laboratorial, o vírus detectado pertence aos subclados K e J.2.4 da Influenza A H3N2, integrantes de uma linhagem que já circula em países da América do Norte, Europa e Ásia. Embora a maioria dos casos de H3N2 registrados no Brasil tenha ocorrido antes da predominância desse subclado no hemisfério norte, o surgimento recente levou autoridades sanitárias a intensificar o monitoramento.
Popularmente chamada de “gripe K”, a variante apresentou elevada taxa de transmissão em países europeus, antecipando o aumento de casos antes do período tradicional de pico da doença, geralmente observado no inverno. Desde agosto, órgãos internacionais de saúde acompanham a expansão do subtipo, especialmente na Europa e na Ásia.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou o alerta para vigilância global diante do crescimento dos casos. No Reino Unido, autoridades chegaram a recomendar o uso de máscaras em determinados contextos, como medida preventiva adicional.
Em relatório divulgado em dezembro, a OMS apontou o Brasil entre os países das Américas com maior proporção de casos de Influenza A H3N2, superando 30% de positividade entre amostras analisadas de pacientes com sintomas gripais. Até então, não havia confirmação específica do subclado K no país.
Segundo a organização, mutações identificadas na hemaglutinina — proteína localizada na superfície do vírus — podem ter contribuído para o aumento da capacidade de transmissão observada nos últimos meses. Apesar disso, a OMS esclareceu que, até o momento, não há evidências de aumento na gravidade clínica dos casos associados a esse subclado.
Os sintomas permanecem semelhantes aos das demais infecções por Influenza e incluem febre, tosse, dor no corpo, dor de garganta, dor de cabeça e mal-estar. Em alguns pacientes, podem ocorrer também manifestações gastrointestinais. A diferenciação entre subtipos só é possível por meio de exames laboratoriais específicos.
Embora não haja indícios de maior agressividade, especialistas alertam que o elevado número de infecções pode aumentar a pressão sobre os serviços de saúde, principalmente entre grupos mais vulneráveis, como idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e indivíduos imunossuprimidos.
O Ministério da Saúde reforça a importância da vacinação anual contra a gripe, além de medidas preventivas como higiene frequente das mãos, etiqueta respiratória e permanência em casa em caso de sintomas gripais, como forma de reduzir a transmissão.